Desemprego menor pode elevar juro nos Estados Unidos
Washington, 04 (AE-DOW JONES) - O desemprego nos Estados Unidos caiu para 4,2% em maio, voltando a registrar o menor nível em 29 anos e o salário médio pago por hora subiu, aumentando, segundo analistas, as chances de o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) elevar as taxas de juros a curto prazo.
Apesar de o Departamento de Trabalho ter anunciado hoje (04) a criação de apenas 11 mil novos empregos no mês passado - muito abaixo da estimativa de 216 mil e bastante inferior aos 343 mil criados em abril - os analistas estão receosos desses dados. Segundo economistas, o Departamento pode ter subestimado o real crescimento do nível de emprego por causa de uma avaliação imperfeita das contratações sazonais de verão.
"Parece que os empregadores estão tendo problemas para encontrar gente para contratar", disse um economista. "Uma restrição da oferta de mão-de-obra afeta os salários." A queda no nível de desemprego, que em abril havia sido de 4,3%, fez o índice igualar-se aos 4,2% de fevereiro de 1970, o menor da história.
O crescimento na produção industrial e o aumento do consumo são as duas razões que, segundo analistas, levariam o Fed a elevar os juros na próxima reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Federal Open Market Committe, Fomc), marcada para os dias 29 e 30 de junho. Um aumento de 25 pontos-base (centésimos de ponto porcentual) nos juros referenciais interbancários sublinhariam a determinação do Fed em conter a inflação.
Hoje, os juros primários (Fed funds) estão em 4,75% ao ano. Os juros dos títulos de 30 anos do Tesouro subiram hoje 13 pontos-base para 5,96%, diante da maior expectativa de mudança nas taxas básicas. A Bolsa de Nova York, que passou as últimas semanas abalada pelo temor de alta dos juros, subiu 1,28%, com uma busca intensa por pechinchas.
Salários - O salário médio por hora, uma das principais medidas dos custos da economia como um todo, avaçou US$ 0,05, ou 0,4% para US$ 13,19 em maio, após uma alta de 0,2% em abril. O Departamento do Trabalho informou também ter descoberto erros nos cálculos do salário médio em março e em abril e ter revisado os números - para cima. Os novos indicadores mostram um aumento de 3,6% no salário médio por hora nos últimos 12 meses.
Sem a possibilidade de contratar mais, as empresas foram forçadas a manter seus funcionários trabalhando durante mais tempo em maio. A média de horas trabalhadas por semana avançou de 34,4 em abril para 34,5 em maio e as horas extras na indústria cresceram de 4,3 horas por semana em abril para 4,6 em maio.
Além de elevar o número de contratações de abril de 234 mil para 343 mil, o governo também aumento o número de vagas criadas em março de 46 mil para 83 mil, quase o dobro. "Isso explica o ceticismo com os números de maio", disse um analista.
A reação do mercado aos dados do desemprego foi indefinida. Embora os juros tenham subido, com o aumento da expectativa dos investidores quanto a um aumento nos juros, as ações também avançaram. Segundo profissionais do mercado, o motivo da alta no Índice Dow Jones foi técnico: as recentes quedas tornaram as ações baratas, mesmo com a possibilidade de uma alta de juros pelo Federal Reserve.





