Belo Horizonte, 05 (AE) - Ao contrário de outras grandes capitais, que tiveram reduzidas suas taxas de desemprego no último mês de 1998, Belo Horizonte apresentou alta no índice de trabalhadores que perderam a ocupação. Segundo pesquisa divulgada hoje pela Fundação João Pinheiro, e feita em parceria com a Secretaria Estadual do Trabalho e Ação Social, a taxa na região metropolitana da capital subiu de 15,7%, em novembro, para 16,3%, em dezembro. Em São Paulo, caiu de 17,7% para 17,4% e em Porto Alegre de 17,7% para 17,3%.
O número de pessoas sem emprego, em Belo Horizonte e cidades vizinhas, subiu de 294 mil para 303 mil, integrantes de uma População Economicamente Ativa (PEA) estimada em 1.858.000 trabalhadores. Foram fechados, ao todo, 22 mil postos. Embora o comércio tenha registrado aumento na oferta de empregos, em razão das vendas de fim de ano - foram 9 mil vagas a mais, em dezembro -, outros setores apresentaram queda significativa. Nos serviços, houve a perda de 19 mil postos de trabalho e, na indústria, de 4 mil.
De acordo com o economista Antônio Braz, coordenador da pesquisa, a elevação da taxa de desemprego foi surpreendente. Esperávamos, na pior das hipóteses, que a taxa fosse mantida em 15,7%, já que dezembro é um período favorável para a área de serviços e a retração é um fenômeno esperado, geralmente, para janeiro e fevereiro, disse.
Braz atribuiu o resultado, no entanto, ao agravamento da crise econômica brasileira, especialmente depois de setembro, quando houve forte elevação da taxa de juros. Durante todo o primeiro semestre, avaliou o economista, as taxas de desemprego devem subir ainda mais na capital mineira. Pelo desenho macroeconômico que podemos fazer, diante das políticas fiscal e monetária contracionistas adotadas pelo governo, 1999 vai ser pior que 1998, afirmou.

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