Quito, 18 (AE-IPS) - O último informe sobre o mercado de trabalho do Equador revelou que somente 27,5% da população economicamente ativa tem um emprego em tempo integral. Do total de 3,5 milhões de equatorianos economicamente ativos, 72,5% amargam a desocupação ou o subemprego. Desde que Mahuad assumiu a presidência, em agosto de 1998, até o final de maio deste ano o desemprego subiu de 13% para 18,1% e o subemprego se situou em 54,4%, segundo estudos da empresa de consultoria Cedatos.
Polivio Córdoba, diretor da Cedatos, diz que a promessa de criar 900 mil novos postos de trabalho foi decisiva para a vitória de Mahuad, mas ela "não se concretizou". Para Jorge Vivanco Mendieta, analista político e vice-diretor do jornal Expreso, um dos mais importantes do país, a crise econômica e suas consequências sobre o mercado de trabalho são fruto da política econômica dos últimos vinte anos do país andino. O Equador articula, dentro da Comunidade Andina de Nações (CAN), acordo de livre comércio com o Mercosul.
Em 98, o déficit comercial superou os US$ 1 bilhão, revertendo a tendência positiva alimentada desde 1979, a reserva monetária internacional caiu de US$ 1,837 bilhão de agosto do ano passado para US$ 1,3 bilhão em maio deste ano. Em março passado a inflação ficou em 13,5%, a maior do mês em muitos anos
o que elevou o custo de vida anualizado em 54,3%. O déficit fiscal chegou em 98 a US$ 1,2 bi, ou 6% do PIB, e em 99 deve chegar a 7,3%.
O analista Alberto Acosta entende que a atual crise é fruto do fenômeno El Niño que, segundo a Cepal, ocasionou perdas de US$ 2,9 bi ao país. Queda no preço do petróleo, nas exportações e entrada de produtos asiáticos também contribuíram para as desvalorizações, aponta Acosta. Ele também considera fatos desestabilizadores da economia a eliminação do imposto de renda e a criação do imposto à circulação de capitais, que retém 1% de toda transação financeira.
O novo tributo, para Acosta, fez com que muitos agentes econômicos optassem pela compra de dólares e os levasse para fora do país. Acosta também avalia que a aceleração das privatizações do petróleo, eletricidade, telefones e portos, com o desejo de reduzir o Estado, contribuiu para o aumento do desemprego. E acrescenta: "o congelamento por um ano dos depósitos bancários foi fundamental para a queda do emprego, já que provocou o fechamento de muitas empresas".
Em 11 de março o presidente congelou por um ano 50% dos saldos das contas correntes e de poupança superiores a US$ 200 e o total dos depósitos em contas correntes e a prazo em moeda estrangeira, maiores de US$ 500. O congelamento atingiu US$ 2,5 bi. Segundo o Ministério do Trabalho, entre janeiro e abril quebraram mais de 400 empresas pequenas e médias. Fontes empresariais asseguram o fechamento de 100 pequenas e médias indústrias em maio.

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