Rio, 28 (AE) - O desemprego cresceu 1,3 ponto percentual entre dezembro do ano passado e janeiro de 2000, segundo dados divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado reflete a demissão dos empregados temporários, contratados em dezembro para atender ao aumento das vendas com as festas de fim-de-ano. No ano passado, esse efeito sazonal fez estragos ainda maiores no mercado de trabalho brasileiro. O desemprego subiu, na época, num ritmo mais acelerado, com alta de 1,9 ponto percentual frente à taxa de dezembro de 1998.
A pesquisa do IBGE revela uma melhoria no mercado de trabalho. O número de empregos cresceu 2,6% em janeiro, enquanto a população com idade ativa aumentou apenas 1,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Esse foi um dos fatores que contribuiu para que a taxa de desemprego ficasse em 7,6% em janeiro, estável em relação aos 7,7% registrados no mesmo período do ano passado.
O motor dessa recuperação é a indústria, que teve aumento de 2,2% nos postos de trabalho pelo terceiro mês consecutivo. "Os sinais de reaquecimento da indústria são claros e importantes para o desempenho da economia brasileira", afirma a técnica do IBGE, Shyrlene Ramos de Souza. Ela ressalta que após dois anos de queda, o número de empregados com carteira assinada voltou a crescer no setor, com alta de 0,8% frente a janeiro do ano passado.
Shyrlene afirma que os postos de trabalho no comércio mantiveram a tendência de queda, com retração de 2,2% no período. Segundo ela, o recuo reflete a migração dos empregos do setor para a indústria e o impacto da alta dos juros no ano passado sobre o comércio brasileiro. "As condições de financiamento e o baixo rendimento do trabalho prejudicaram o varejo, que precisou enxugar sua folha de pagamento", analisa.
Os dados da pesquisa revelam ainda que ingressaram no mercado de trabalho cerca de 433 mil pessoas desde janeiro de 1999. Desse total, 80,8% foram absorvidos pelo setor de serviço e 78% estão trabalhando sem carteira assinada. "A velocidade de recomposição das vagas é mais lenta que sua extinção", pondera.
Sem fazer previsões, a técnica do IBGE adianta que o primeiro trimestre tradicionalmente é de taxas de desemprego mais elevadas. Ela lembra que os empregos temporários aumentam no final de ano por conta das festas. "Essa mão-de-obra que é dispensada a partir de janeiro, quando as vendas caem", afirma. O efeito sazonal é o grande responsável pela taxa de desemprego crescer de 6,3% em dezembro para 7,6% no primeiro mês de 2000. "O movimento já era esperado e não indica nenhuma mudança na trajetória de recuperação do mercado de trabalho."
Rendimento - O rendimento médio real do brasileiro nos anos 90 caiu 8,09%, segundo dados do IBGE. A queda é resultado principalmente da recessão no governo Collor, quando a renda do trabalho apresentou forte retração. Entre 1993 e 1997, os salários se recuperaram, alcançando seu melhor desempenho em 1995, quando a renda média teve um crescimento real de 11%. A crise asiática provocou uma estagnação em 1998, enquanto a crise russa e a desvalorização cambial fizeram o rendimento do brasileiro cair em 5,5% no ano passado.
Outro fator que contribuiu para o recuo em 1999 foi a elevada taxa de desemprego, que se mantém há dois anos acima dos 7% da população economicamente ativa. Em São Paulo, a perda na renda do empregado foi menor, de 3,66%, enquanto no Rio de Janeiro, a retração foi de 4,3%.

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