Tóquio, 30 (AE-AP) - O desemprego no Japão atingiu o recorde de 4,9% em junho, ante 4,6% em maio, de acordo com dados oficiais, o que dá uma clara dimensão dos reflexos da onda de reestruturação e redimencionamento sobre as empresas locais. A divulgação dos dados afastou as esperanças de que a debilitada economia japonesa, que atravessa um período de dificuldades que já dura mais de uma década, possa estar no caminho da recuperação sustentada.
O resultado de junho superou as estatísticas mais pessimistas verificadas e, março e abril deste ano, quando o desemprego atingiu a marca de 4,8%, a pior desde a Segunda Guerra Mundial. Entre os homens o grau de desocupação chegou a 5,1%, um recorde, com a demissão de mais 280 mil pessoas do sexo masculino em relação ao mesmo período do ano passado, fazendo com que o número de desempregados passasse a 1,18 milhões, algo sem precedentes no país.
Em números globais, que incluem homens e mulheres, a falta de emprego afeta hoje 3,29 milhões de pessoas, o que representa o desligamento de mais 450 mil pessoas em junho, ou 15,8% mais que no mesmo mês do ano passado, revelam os dados da Agência de Gerenciamento e Coordenação. O aumento do desemprego coincide com os esforços do país para reemergir da mais grave recessão verificada em 50 anos e com o processo de enxugamento que vem sendo realizado pelas empreasas para recudir os custos de produção e melhorar a competitividade.
Os dados publicados hoje foram interpretados por economistas dos bancos estrangeiros como um indício de que a anunciada recuperação econômica do Japão ainda está distante, apesar do crescimento de 1,9% verificado no primeiro trimestre do ano. Por isso esses especialistas avaliam que cabe ao governo "aumentar a dimensão da rede de proteção social durante esses período de transição".
Entre os economistas do governo e muitos acadêmicos, porém, prodemina a idéia de que o alto índice de desemprego é um sinal de que o país deve desacelerar o doloroso processo de abertura da economia que, se ampliado, poderá custar ainda mais caro para os trabalhadores locais. "Para o Japão é melhor não optar por posições extremas", disse o ministro de Comércio e Indústria para Assuntos Internacionais, Kaoru Yosano.
Outro sinal da fragilidade da economia japonesa é o resultado dos gastos pessoais, também divulgado ontem. Números oficiais indicam que apesar da forte injeção de recursos públicos para incentivar a demanda interna, os assalariados japoneses gastaram 1,8% menos em junho, em relação ao mesmo mês de 1998. Por isso, o governo de Tóquio já está estudando um novo orçamento suplementar para criar novos empregos e incentivar o consumo.

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