Buenos Aires, 18 (AE-DOW JONES) - O índice de desemprego na Argentina cresceu de 12,4% em outubro de 98 para 15% em maio, em decorrência da recessão que tomou conta da economia do país, segundo dados oficiais coletados em maio, que devem ser divulgados nos próximos dias. O ministro do Trabalho, José Uriburu, entregou as estatísticas hoje (18) ao presidente Carlos Menem, que orientou o ministro da insistir nas tentativas de tornar os contratos de trabalho mais flexíveis.
Só em maio, quando a produção industrial caiu 10%, o Ministério do Trabalho estima uma perda de 28 mil empregos. De maio de 1998 a maio deste ano, cerca de 80 mil trabalhadores engrossaram a enorme fila de desempregados, o que equivale um índice de desemprego em torno de 15%. Em maio de 1994, a Argentina registrava um índice de desocupação de 10,7%, resultado que saltou para 18,4% no mesmo mês de 1995, em decorrência dos efeitos da crise do México, para recuar a 17,1% em 96.
O lento processo de recuperação da economia argentina iniciado em 96, que assegurou uma redução do nível de desemprego para 16,1% em maio de 97, e para 13,2% no mesmo mês de 1998, foi interrompido este ano e agravou-se por causa da desvalorização do real no Brasil. O desaparecimento de empregos nos últimos meses de recessão (a economia do país recuou 3% do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre) "foi forte e indica uma certa inércia", afirmou Uriburu. Segundo ele, contudo, "já existem sinais positivos" em alguns setores.
Para calar os críticos, o ministro da Economia, Roque Fernández, admitiu hoje que o governo está analisando a possibilidade de reinstituir os antigos "contratos lixo", eliminados no ano passado, que têm prazo fixo e não oferecem ao empregado proteção como aviso prévio ou indenização. Esse tipo de contrato de trabalho havia sido eliminado pela reforma trabalhista, em decorrência de um acordo feito entre o governo e o sindicato, para reduzir a precariedade dos empregos no mercado argentino de trabalho.
As autoridades também estão avaliando uma proposta para reduzir a miséria, por meio da elevação do piso das aposentadorias de US$ 150 para US$ 200. Na Argentina, onde a cesta básica para uma família de quatro pessoas custa US$ 570, existem hoje cerca de 1,2 milhões de aposentados, de um total de 2,9 milhões, que recebem menos de US$ 200 ao mês. O custo da mudança do piso das aposentadorias foi estimado em US$ 250 milhões,até o fim do ano.
O ministro da Economia, Roque Fernández, contudo, afirmou hoje que a pobreza absoluta diminuiu muito nos últimos dez anos. Segundo ele, o Congresso precisa aprovar uma nova reforma trabalhista, a segunda em menos de um ano, antes da mudança de governo.

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