Buenos Aires, 06 (AE) - O Ministério da Economia anunciará amanhã (07) que o desemprego manteve-se em 14,5%. Este índice impede que se cumpra a meta prometida na semana ao FMI pelo ministro da Economia, Roque Fernández, que era a de reduzir o nível de desemprego. O anúncio também liquida as promessas do presidente Carlos Menem de deixar o governo com um índice inferior a 10%.
No entanto, o verdadeiro problema será para os mais de 200 mil novos desempregados surgidos desde outubro do ano passado, quando o índice era de 13,2%. De maio até agosto deste ano perderam-se 60 mil postos de trabalho.
No total, a Argentina possui 1,9 milhão de desempregados. Somando-se os sub-empregados, o número de argentinos com problemas de trabalho nas cidades do país chega a 3,7 milhões de pessoas. Se forem acrescentados os trabalhadores da área rural com similar situação, o número seria de 4 milhões de pessoas, o que é equivalente a um terço da população economicamente ativa da Argentina.
Segundo os dados do Instituto de Estatísticas e Censos (Indec), que realiza a pesquisa, o desemprego diminuiu ligeiramente em Buenos Aires e sua região metropolitana, enquanto que aumentou no interior da Argentina. As principais áreas atingidas são as de Córdoba, cidade onde está a maior parte das montadoras e fábrica de autopeças do país, profundamente afetadas pela recessão, além do porto de Bahia Blanca.
Analistas consideram que o índice que será anunciado pelo ministério da Economia só não é pior porque milhares de pessoas deixaram de procurar trabalho, após meses tentando encontrar algum, o que denominam de "efeito desânimo". Procurar trabalho
desta forma, acabaria sendo caro.
De acordo com a Consultoria Equis, 20% da população mais pobre da Grande Buenos Aires tem uma receita diária de US$ 2,40, o que impede que um trabalhador use um transporte para procurar um emprego. Baseados em dados do governo, diversos analistas sustentam que a pobreza e a indigência atingem 27% dos argentinos.
Consultorias privadas como o Centro de Estudos Macro-econômicos Argentinos (CEMA) afirmou que o índice de desemprego seria maior que o será anunciado, atingindo 14,8%. O analista Orlando Ferreres considera que o índice já estaria em 15%.

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