Sindicatos e centrais de trabalhadores previram, em meados do ano, o aumento da procura pelo 'trabalho precário' no último trimestre de 2001. Por meio de levantamentos internos, perceberam esta tendência ainda em julho. Economistas e sindicatos passaram a discutir o perfil desse novo desempregado: é o trabalhador que atua em empresas que atendem o mercado interno, opera no ''chão de fábrica'' e na área administrativa.
O raciocínio seguido pelos técnicos é o seguinte: como o racionamento de energia e a elevação nas taxas de juros provocaram uma desaceleração na economia, as indústrias que atendem o mercado interno reduzem as vendas. Com a queda de produção, a saída seria dar férias coletivas ou demitir pessoal. Nessa hora, os empregados da linha de produção e sem carteira acabam sendo o alvo principal das companhias.
De acordo com a gerência do Centro de Solidariedade, caíram drasticamente as vagas para o setor da construção civil desde julho, assim como desapareceram as vagas para a área de contabilidade e setor administrativo.
''Como o chefe de família sabe que corre o risco de perder o emprego, os outros membros da família se mobilizam e passam a procurar trabalho. Teremos então um excesso de gente atrás de vagas, mas sem chances de encontrar um bom emprego e tendo que fazer bicos por aí'', disse Márcio Pochman, professor da Unicamp, especializado em trabalho.
Daí a previsão de que haveria, como se confirma agora, crescimento no chamado ''desemprego oculto pelo trabalho precário'', que engloba os trabalhadores que aceitam fazer qualquer tipo de ''bico'' para receber alguma remuneração no mês. (AE)

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