Rio, 01 (AE) - Doze desempregados que moram nas ruas foram escolhidos para ter os pés lavados hoje pelo cardeal-arcebispo do Rio, d. Eugenio Sales, na Missa da Ceia do Senhor, na Catedral de São Sebastião, na Avenida Chile, no Centro. "Lavar pés é um ato de humildade, caridade e solidariedade", afirmou o cardeal. "Devemos refletir sobre ele não só na Semana Santa, mas também durante todo o ano." D. Eugênio lembrou que os desempregados foram escolhidos em uma referência à Campanha da Fraternidade deste ano, cujo tema é o desemprego.
Os sem-emprego e sem-moradia que participaram da cerimônia são alguns dos mais de 500 assistidos pela Pastoral Social da Arquidiocese. Repetição de gesto de humildade de Jesus Cristo em relação a seus apóstolos, durante a Última Ceia, o lava-pés é tradicional na Quinta-Feira Santa. No sábado (03), com mais três pessoas nas mesmas condições, os desempregados, na Vigília Pascal, serão batizados, crismados e receberão a primeira comunhão.
Uma mensagem contra o desemprego e a violência encerrará o Auto da Paixão de Cristo, que será encenado amanhã (02), a partir das 19h, pela 20ª vez consecutiva nos Arcos da Lapa. Com 80 minutos de duração, o espetáculo ao ar livre terá mais de 20 quadros, entre eles Sermão da Montanha, Entrada em Jerusalém, Última Ceia, Prisão no Horto e Crucificação, Morte e Ressurreição. Segundo o diretor, Ginaldo de Souza, o objetivo é recriar um espetáculo com texto centrado na busca do emprego, da liberdade e da justiça.
"Neste auto, a sequência dos quadros revela que as mesmas situações ocorridas naquela época continuam a se repetir hoje em dia: ainda morrem pessoas com fome, doença e abandono, outras são assassinadas sem que nada tenha sido provado contra elas, como aconteceu com o próprio Cristo", disse Souza. "E, como acontece a cada ano, ao término do quadro da ressurreição, é apresentada uma mensagem especial atual." No encerramento, d. Eugenio falará aos fiéis. A peça é uma iniciativa da Associação Cultural da Arquidiocese do Rio.
Missas - Hoje de manhã, na Missa da Sagração dos Santos àleos, d.Eugenio cumpriu outra tradição: entregou aos representantes dos seis vicariatos sob sua autoridade os frascos de óleo sagrado que serão usados para crismas, catecúmenos e unções dos enfermos até a Quinta-Feira Santa do próximo ano. Ligado à ala conservadora da Igreja, d. Eugenio não abordou política em sua homilia, em que falou da alegria pela unidade da diocese e lembrou que este ano é dedicado a Deus-Pai. O cardeal também entregou carta do Papa aos padres -eram 380 na cerimônia, além de 8 bispos e 210 seminaristas.
Cerca de 3 mil pessoas participaram da missa da manhã. Amanhã (02), Sexta-Feira da Paixão, como é da tradição religiosa católica, não haverá missas. Às 15h, em silêncio inicial absoluto, começa a Função Litúrgica Comemorativa da Paixão e Morte do Senhor. Às 17h30, sairá da Catedral a Procissão do Senhor Morto, que percorrerá algumas ruas do Centro.

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