Desempregados atuam
na maioria dos saques
Das agências
A maioria dos saques ocorridos no sertão tem a participação ou são feitos por desempregados das periferias das cidades do semi-árido, não beneficiados com as cestas básicas do governo federal. Em Parnamirim, a 573 quilômetros do Recife, cerca de 200 pessoas da área urbana saquearam um depósito do Centro Estadual de Abastecimento S.A (Ceasa) na noite de anteontem e um depósito da prefeitura ontem pela manhã. Ontem, o governador de Pernambuco, Miguel Arraes, garantiu que a polícia pernambucana tem agido ‘‘com toda a energia’’ nos casos em que o saque não resulta do desespero da população faminta.
Relatório da Polícia Federal, elaborado há um mês, já alertava para possíveis saques feitos pelas populações pobres da periferia. De acordo com o secretário municipal de governo, Willames Barbosa Costa, as pessoas ainda tentaram obter comida no pelotão da Polícia Militar, para onde foram transferidos alimentos doados pela prefeitura de Ribeirão Preto, mas foram contidas. Na quinta-feira pela manhã, cerca de cem mulheres - também da periferia de Parnamirim - haviam arrombado os cadeados do depósito da prefeitura, mas conseguiram levar apenas dez cestas básicas, pois a Polícia Militar impediu o saque.
Barbosa Costa atribuiu os saques aos número insuficiente de cestas básicas. Parnamirim, com 22 mil habitantes, tem direito a 1.170 cestas básicas, mas precisaria, segundo ele, de pelo menos cinco mil. ‘‘Não fosse a doação de Ribeirão Preto, a situação seria muito pior’’, disse.
O governo federal decidiu suspender à última hora o leilão que seria feito ontem para a compra de 3.600 toneladas de leite em pó, que seriam incluídos na cesta de alimentos distribuída às populações carentes e aos flagelados da seca do Nordeste. A negociação com os produtores de leite chegou a um impasse devido ao preço reivindicado pelos produtores, que poderia aumentar em até 50% o preço final da cesta, de R$ 10,20 em média. O programa das cestas atinge 2.146 municípios.
Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a compra do leite para as cestas ficará suspensa até o final da entressafra, previsto para outubro. Até quinta-feira, os coordenadores do Programa de Distribuição de Alimentos (Prodea) definirão alternativas para o leite na composição da cesta básica.

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