Desempregado reduz exigências e reforça queda de renda
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 26 (AE) - A queda de 3% no rendimento médio real do do trabalhador na Grande São Paulo, num único mês, é o resultado estatístico de situações que já vêm sendo noticiadas há alguns meses. O desempregado, que fica em média 39 semanas procurando uma nova ocupação, vai baixando seu nível de exigência e acaba se recolocando no mercado em troca de ganhos muito menores do que recebia quando estava na ativa.
"Isso cria um ciclo vicioso de menos renda na economia, menos consumo, em consequência, mais desemprego, que por sua vez causa nova queda da renda e assim sucessivamente", afirmou o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça.
O encolhimento da renda não está poupando ninguém. Em termos reais (descontada a inflação), bastaram 12 meses para que o rendimento máximo dos 10% mais pobres caísse de R$ 185 para R$ 153. O rendimento mínimo dos 10% mais ricos caiu de R$ 2.056 para R$ 1.800. As faixas intermediárias perderam um pouco menos, mas todas ficaram mais pobres.
Os valores correspondem aos meses de março de 1998 e deste ano. De março deste ano para abril, a queda para os mais pobres foi de 5,3% e para os mais ricos de 2,1%.
Sem limite - Por mais que economia reaja este ano, não haverá criação de emprego suficiente para conter a sangria na renda dos trabalhadores. A economia, lembrou o diretor executivo da Fundação Seade, Pedro Paulo Martoni Branco, precisaria crescer mais de 5,5% por ano, durante uns 10 anos, para aproveitar parte expressiva do estoque de desempregados atual e ainda dar conta do contingente de jovens que ingressa todos os anos no mercado.
Como isso está fora de cogitação, o desemprego continuará aumentando e a renda caindo. "Infelizmente, nesse cenário, não há limite para a queda da renda do trabalhador", disse Martoni.
Outro indicador importante, a massa de rendimentos, caiu 4% no mês e nada menos que 6,8% em 12 meses. A massa é a soma de todos os rendimentos do trabalho dos ocupados, sejam eles assalariados ou não, formais ou informais. Nesse caso, como o produto interno bruto (PIB) do País e da Grande São Paulo não caiu nesse nível, é de se supor que esteja havendo uma piora na já péssima distribuição de renda brasileira.
Segundo Mendonça, quando a massa de rendimentos recua em descompasso tão grande com o PIB, imagina-se automaticamente que quem não vive apenas da remuneração de seu trabalho tenha perdido bem menos, ou até ganhado. É o caso de quem vive também de aplicações financeiras e ganhos de capital, entre outros. "Geralmente, isso é indicador de pior distribuição de renda, mas ainda não há dados oficiais disponíveis."


