Desempregado que fez refém esquece tudo
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quarta-feira, 09 de maio de 2007
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
O vendedor desempregado José Cícero Alves dos Santos, 36 anos, que na tarde de anteontem tentou roubar a agência da Caixa Econômica Federal (Zona Oeste de Londrina) e fez a funcionária Miriam Martins, 21, refém por quase três horas, declarou em depoimento à Polícia Federal que não se lembrava de nada do que aconteceu. Ele foi indiciado nos crimes de roubo qualificado - pelo uso de arma e por manter uma vítima em seu poder - e de dano ao patrimônio da União qualificado - por ter usado de ameaça e provocado estragos deliberadamente.
Santos foi ouvido ontem de manhã pelo delegado federal que preside o inquérito, Joel Moreira Ciccotti, e alegou que ''o que aconteceu (no dia do crime) não existe na idéia dele''. Para o delegado, o vendedor ''mostrou ser uma pessoa inteligente, articulada e que consegue se expressar muito bem''. Por enquanto, o delegado descartou a necessidade de submeter o preso a exame de sanidade mental, ainda que a esposa de Santos tenha dito que ele estaria depressivo e com mania de perseguição. O indiciado não possuía antecedentes criminais
Policiais declararam à PF que Santos estaria com R$ 5.920,00 em uma bolsa quando a agência foi cercada, no meio da tarde. O vendedor teria conseguido o dinheiro logo após entrar na agência e render com uma faca a funcionária que atendia nos caixas eletrônicos - uma área de acesso livre. Ele teria jogado a sacola contra os policiais ao ser acuado e subiu para o primeiro andar. Em seguida, quebrou móveis e vidros da fachada do banco.
Miriam foi ouvida à tarde e confirmou que Santos a rendeu logo que entrou na agência. ''Ela contou que estava atendendo, ele encostou a faca em seu abdome, disse que era um assalto e entrou na agência'', detalhou Ciccotti. A funcionária afirmou não ter sido ameaçada de morte e que o vendedor chegou a a tranquilizá-la.
O delegado também ouviu a gerente de atendimento da Caixa, identificada apenas como Rosângela, que teria entregado o dinheiro de dois caixas para Santos.
Ciccotti pretende concluir o inquérito em 15 dias.


