Desempregado mantém gerente sob a mira de revólver antes de se entregar
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Clarissa Thomé 
Rio, 27 (AE) - O gerente de banco Carlos Eduardo Ferreira foi mantido hoje sob a mira de um revólver, por cerca de 30 minutos, pelo desempregado Paulo César dos Santos Oliveira, de 30 anos, que assaltou a agência do Unibanco, no catete, zona sul do Rio, a 100 metros da 9ª Delegacia de Polícia (Catete). Cerca de 50 policiais civis e militares cercaram o banco, armados de fuzis e pistolas, enquanto Oliveira negociava com policiais e repórteres. "Eu não sou um ninguém, vestido de bermuda e chinelo, eu sou alguém na vida e tenho um filho de oito meses passando fome", afirmou o desempregado aos repórteres.
O assalto na agência começou por volta das 15h30, quando o banco tinha poucos clientes. Oliveira entrou sozinho, vestindo de terno e gravata e armado com um revólver calibre 38, que manteve engatilhado. Ele anunciou o assalto, mandou que os funcionários e correntistas ficassem num canto do prédio e começou a recolher cartões e dinheiro (R$ 2.205), que colocava no bolso da calça e do paletó.
Ao sair do banco, Oliveira se assustou com o sargento do 2º Batalhão de Polícia Militar (Botafogo) Walter dos Anjos, que passava no local, e voltou para a agência. "Ele rendeu uma criança e depois o funcionário", contou o delegado da 9ªDP, Sérgio Valença.
Oliveira passou um dos braços pelo pescoço do gerente e gesticulava com o outro, apontando a arma a esmo. O detetive Ivo dos Santos tirou a camisa da Polícia Civil, mostrou que estava desarmado e convenceu o assaltante a negociar. "Eu disse que também tinha filho, mas que ele não devia fazer nenhuma loucura." Oliveira irritou-se e pediu a presença de cinegrafistas de televisão. "Ele diz que tem filho, mas não sabe o que é ver um filho seu passar fome", gritou para os repórteres.
O delegado da 5ª DP, Renato Torres, entrou na agência para ajudar nas negociações. O comandante do 2º BPM, Edson Eurico dos Santos, à paisana, fingiu-se de cinegrafista para dar cobertura aos dois policiais civis. "Já me enganaram em negociação antes, quando chega na delegacia eles batem", gritou Oliveira, que teve a sua segurança garantida pelo delegado Torres. "Momentos antes de se entregar, ele deu um tiro para o alto", contou o delegado Valença. Oliveira foi retirado da agência abraçado pelos policiais.
Na delegacia, Oliveira contou que estava foragido de uma delegacia em Minas Gerais, onde estava preso por assalto. Oliveira confirmou que usava drogas, mas disse que não tinha dinheiro para alimentar o filho. "Eu moro na favela: eles têm drogas, eu o dinheiro", sintetizou. "Bandido é o cara que perde o emprego e vai catar lixo."
Foi o segundo assalto a banco ocorrido na tarde de hoje. Por volta das 13 horas, oito homens entraram no posto do Bradesco, na sede da prefeitura. Houve troca de tiros com seguranças. Um vigilante, uma cliente e dois assaltantes ficaram feridos. Eles roubaram R$ 7.500.


