Londrina- Uma tentativa de roubo contra a agência da Caixa Econômica Federal da avenida Tiradentes (Zona Oeste de Londrina) acabou se transformando em quase três horas de terror para a funcionária terceirizada do banco, Miriam Martins, 21 anos, que foi feita refém sob ameaça de faca. O vendedor José Cícero Alves dos Santos, 36 anos, que está desempregado, se rendeu após a chegada da esposa, que está grávida de oito meses.
O cliente do banco Marcos Francisco de Melo contou que estava próximo a um dos caixas no piso térreo da agência quando, pouco antes das 16 horas, o vendedor chegou com a funcionária, que estava com a faca no pescoço. Santos teria se aproximado de outra funcionária e exigido que ela colocasse dinheiro em uma sacola. Assim que recebeu a bolsa de volta e se preparava para deixar a agência, foi surpreendido com a chegada de policiais militares. O relações-públicas do 5º Batalhão da PM, tenente Ricardo Eguédis, confirmou que o vendedor teria inicialmente tentado assaltar a agência.
Sem saída, Santos retornou à agência e subiu para o primeiro andar, onde continuou ameaçando a refém e começou a quebrar os vidros da frente do prédio com as mãos. Inicialmente, ele teria reclamado que estava endividado e o banco queria lhe tomar uma casa financiada. Por se tratar de uma instituição federal, a Polícia Federal foi acionada. Funcionários e clientes saíram por uma porta dos fundos.
Por volta das 17 horas, o negociador do 5º Batalhão da Polícia Militar, tenente Fábio Bonifácio Ferreira, entrou na agência para negociar com o vendedor. O policial revelou que encontrou Santos bastante nervoso. ''Ele pedia a todo momento pelo ex-patrão dele e mantinha sempre a faca apontada para o pescoço ou o abdome da refém'', detalhou. O ex-chefe foi chamado mas não chegou a conversar com o vendedor.
A rendição só aconteceu quando a esposa de Santos, que está grávida de oito meses, chegou à agência levada pelo delegado-chefe da 10 Subdivisão Policial, Sérgio Barroso. Às 18h37, o vendedor deixou o banco acompanhado por policiais do Pelotão de Choque, gritando muito e com ferimentos leves nos braços. ''Filma o novo marginal de Londrina'', dizia. Ele foi levado para a Delegacia da Polícia Federal, onde deveria ser ouvido. A refém saiu em seguida, amparada por familiares e pelos socorristas do Siate. Segundo o médico Gustavo Queiroz, ela estava muito nervosa mas não tinha sido ferida.
A esposa do vendedor também foi atendida pelo Siate e, depois, deveria acompanhar o marido. Ela desmentiu a versão de que Santos estivesse prestes a perder a casa. Comentou que ele havia retornado da Inglaterra há cerca de um ano e nas últimas semanas estaria apresentando sinais de depressão e dizia estar sendo perseguido. Bastante abalada, a mãe da refém afirmou que a jovem estava em estado de choque e não falou muita coisa. Ela informou apenas que a filha trabalha no banco há um ano.

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