Recife, 07 (AE) - A encenação teatral "Pai, afasta de mim esse cálice (a fome)", com a crucificação de um desempregado; o repúdio à prisão de cinco trabalhadores sem-terra pelo roubo de bodes durante uma ocupação de terra e o protesto contra a impunidade dos crimes contra lideranças indígenas marcaram O Grito dos Excluídos, hoje pela manhã, no centro do Recife. Freiras com a cara pintada de verde e amarelo, índios vestidos a caráter e gente fantasiada engrossaram a passeata que pedia justiça social, emprego, reforma agrária e dignidade através de faixas, cartazes e discursos. Sindicalistas distribuíram adesivos com a frase "Fora FHC e FMI".
De acordo com a Polícia Militar, mais de 1.500 pessoas participaram da manifestação, encerrada na Praça do Carmo. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST/PE) pediu liberdade para os cinco sem-terra que estão presos desde o dia 4 de março, à espera de julgamento, em São Bento do Una, no agreste, por terem roubado oitobodes para alimentar invasores naquele município. Eles acusam o juiz da comarca, Gilvan Macedo dos Santos, pela prisão que consideram arbitrária, inconstitucional e política.
Em seu discurso, em cima de um trio elétrico, a representante do movimento, Rubineusa de Souza, emocionou-se ao contar da morte, ocorrida na madrugada de hoje, de uma menina de 8 meses, filha de um dos presos, Cícero de Melo Rocha. "A criança morreu de pneumonia, por falta de alimentação e assistência adequadas e o pai nem vai poder acompanhar seu enterro", afirmou. "E enquanto os trabalhadores estão presos porque queriam matar a fome, os assassinos de Eldorado de Carajás continuam soltos".
Já os índios da tribo Truká reclamaram por justiça e regularização de terras. Aílson Truká, um dos organizadores do movimento, disse que até agora ninguém foi responsabilizado pelas mortes dos caciques pernambucanos Xicão, dos Xucuru, e Abdon, dos Atikun, nem pelo recente assassinato de quatro índios truká, em Cabrobó, no sertão pernambucano."Se continuar assim, os posseiros e fazendeiros vão acabar exterminando os índios brasileiros", disse.

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