'Desempregado crônico' começa a aparecer nas pesquisas
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 17 (AE) - Os 1,5 milhão de desempregados da Grande São Paulo já demoram mais de um ano, em média, procurando uma nova ocupação. O dado apareceu na pesquisa do convênio Seade-Dieese referente ao mês de janeiro, que mostrou um ligeiro aumento do índice de desemprego, de 17,5% da força de trabalho para 17,7%. O tempo médio de procura por trabalho saltou de 49 semanas para exatas 54 semanas - um ano e duas semanas, portanto
um recorde na história da pesquisa. Em relação ao ano passado, esse tempo ampliou-se em 17 semanas. Economistas das duas instituições suspeitam que o Brasil tenha produzido um personagem que é clássico em economias que sofrem longo período de baixo crescimento: o do desempregado crônico.
O desemprego de longa duração deve estar relacionado em parte com a baixa qualificação dos candidatos a uma nova vaga, segundo o novo diretor executivo da Fundação Seade, Flávio Fava de Moraes. O gerente de análises sócio-econômicas do orgão, Sinésio Pires Ferreira, acrescenta que além da baixa qualificação, o contingente de desempregados que está puxando essa média para cima pode ter outros tipos de dificuldades, como idade além da desejada pelo mercado (acima de 40 anos) ou especialização em funções que estão em extinção - a indústria, por exemplo, vem eliminando profissionais como inspetores de qualidade, torneiros mecânicos e outros, inadequados para as novas formas de produção.
O fato é que nunca houve um salto tão grande do tempo médio de procura por uma ocupação, lembra o diretor técnico do Dieese, Sérgio Mendonça. "Como o desemprego em nível tão alto é um fenômeno mais recente no Brasil, ainda não focamos as características desse desempregado crônico, mas logo teremos um perfil mais definido", observa.
Por enquanto, a pesquisa indica que entre os que se encontravam em situação de desemprego aberto (pessoas que procuraram trabalho nos 30 dias anteriores à entrevista e não exerceram nenhum trabalho nos últimos sete dias), o tempo médio de procura por uma nova ocupação cresceu de 42 semanas em dezembro para 49. Entre os que se encontravam em situação de desemprego oculto (por trabalho precário ou por desalento) o tempo aumentou de 59 semanas em dezembro para 62 em dezembro.


