Desempregado ameaça matar família
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sexta-feira, 11 de agosto de 2000
Agência Estado Do Rio de Janeiro 
O pescador desempregado Carlos Loureiro, de 41 anos, tomou ontem como reféns sua mulher, Maria Isabel dos Santos, e os quatro filhos e ameaçou matá-los em protesto contra a desapropriação do terreno onde mora, em Nilópolis, na Baixada Fluminense. Loureiro jogou álcool no corpo dos filhos e durante quase quatro horas ameaçou explodir dois botijões de gás, com um isqueiro. Não me sinto arrependido, eu morreria junto com eles ou sozinho para reivindicar os meus direitos, disse o pescador, depois de se entregar à polícia.
O drama da família de Loureiro começou às 7 horas. Maria Isabel, de 40 anos, se arrumava para ir ao trabalho, quando sentiu forte cheiro de gás na casa de três cômodos. Ela percebeu então que o marido havia aberto o gás e espalhado álcool sobre o fogão. Ele disse que ia explodir tudo, contou.
Vizinhos foram chamados e avisaram a Polícia e o Corpo de Bombeiros. Com a chegada dos policiais, Loureiro ficou mais nervoso. Os quatro filhos - Carlos Magno, de 16 anos, Daiana, de 12, Taiana, de 10 e Tiago, de 8 - foram molhados com álcool e ficaram no quarto. Durante as negociações, Maria Isabel permaneceu ao lado do marido na cozinha. O forte cheiro de gás fez com que ela vomitasse várias vezes.
O pescador explicou que só libertaria a família com a promessa do prefeito de Nilópolis, José Carlos Cunha, de que não desapropriaria o terreno, herdado pelo pescador. A prefeitura quer construir de 60 casas populares no local. Ele assinou a desapropriação em troca de três das casas e R$ 44 mil, disse o prefeito, que acompanhou a negociação. Loureiro nega ter feito o acordo.
Em 1987, quando a segunda filha tinha apenas dois meses, Loureiro, armado de uma faca, ameaçou matar outros pescadores e tentou suicidar-se. Oito anos mais tarde, incendiou a casa em que mora, com os quatro filhos dentro. As crianças foram salvas por vizinhos. Não me separo dele porque não tenho para onde levar os meus filhos; vivo com medo, explicou Maria Isabel.
Loureiro já passou por duas internações psiquiátricas. Ontem, ele foi indiciado por tentativa de homicídio e, se for considerado são pela Justiça, pode ser condenado à pena de 12 a 30 anos de detenção. Perguntado se não temia ficar preso, respondeu: É da vida, faz coisa errada, fica na cadeia.


