Desempenho para reduzir déficit recebe nota 6,5
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de outubro de 1999
por Denise Ramiro 
São Paulo, 22 (AE) - O desempenho do governo para reduzir o déficit público recebeu nota média de 6,5 - de 0 a 10 -, de acordo com o INDICADOR DE EFICIÊNCIA DO AJUSTE FISCAL, elaborado pelo Instituto Atlântico em parceria com a Fiesp. Segundo o vice-presidente do instituto, Paulo Rabello de Castro, as metas acordadas entre o FMI e o governo é considerada excelente. Entretanto, o ponto frágil do processo, segundo ele, está relacionado aos indicadores que projetam resultados de longo prazo. Ele citou como exemplo a questão da crescente quantidade de títulos cambiais emitidos pelo governo em relação ao total da dívida do setor público. De acordo com ele, essa tendência só será revertida com o controle do déficit nominal. "O Brasil só vai reduzir os riscos embutidos nos financiamentos externos, quando diminuir o seu déficit nominal" afirmou ele.
Rabello acrescentou que o déficit nominal brasileiro está entre os mais altos do mundo, superando talvez, segundo ele
o da Rússia. O economista reconhece a demanda do mercado por papéis cambiais, mas justifica o movimento como sendo uma busca por proteção em meio a um clima de insegurança, gerado pela desconfiança da disposição do governo de atuar com metas mais rigorosas. De acordo com Rabello, o FMI não é o responsável pelas dificuldades econômicas preventes no país. Na sua opinião, o Fundo foi até generoso no acordo feito com o Brasil, aceitando uma meta de 3% do PIB para o superávit primário. Essa meta deveria ter sido fixada em 5% do PIB para dar resultado. Rabello fez esses comentários, há pouco, após a divulgação do Indicador na Fiesp. O indicador levou em conta entre outros pontos as medidas acordadas com o FMI, o que o instituto considera como ideal e o que foi cumprido, a expectativa dos mercados nacion al e internacional e o endividamento em dólar do governo.


