Brasília, 09 (AE) - Os estudantes que fizeram este ano o Exame Nacional de Cursos (Provão) não conseguiram nota média superior a 5 (numa escala de 0 a 10) em nenhuma das 13 áreas do conhecimento avaliadas. Medicina, que atingiu a média mais alta, não passou de 4,9, enquanto Engenharia Química ficou com a mais baixa: 1,8. O ministro da Educação, Paulo Renato Souza, atribuiu o mau desempenho dos cursos ao grau de dificuldade do teste e disse que "prova boa" é a que tem média 5.
"Se há nota baixa, isso para mim diz uma coisa: a prova está inadequada em relação ao que os alunos estão aprendendo", disse Paulo Renato. O teste, porém, foi elaborado por comissões nomeadas pelo próprio Ministério da Educação (MEC), com 15 professores cada, e representa o que o governo federal considera como "parâmetro ideal" para o ensino superior no País.
Para o ministro, realizar uma prova em que todos os 2.151 cursos avaliados tirassem nota máxima não faria sentido. "Um teste em que todos tiram 10 não discrimina", afirmou Paulo Renato, admitindo, no entanto, que os resultados do Provão deixam claro que o desempenho dos cursos está "abaixo do ideal do MEC" e precisa melhorar. "Foi para isso que fiz o Provão", declarou.
Das 13 áreas avaliadas, apenas duas, além de Medicina, obtiveram nota média superior a 4: Direito (4,2) e Odontologia (4,8). Economia, Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Jornalismo não passaram de 3. Medicina Veterinária, Letras, Engenharia Elétrica e Administração não chegaram de 4. E Matemática, com 1,9, obteve o segundo pior resultado, à frente apenas de Engenharia Química.
Em relação às médias das dez áreas avaliadas em 1998, o resultado deste ano foi pior em sete delas. Segundo o ministro, porém, a cada ano as provas são diferentes, de modo que o desempenho dos alunos não pode ser comparado. Apesar das médias abaixo de 5 em todas as áreas, houve cursos que isoladamente atingiram médias superiores.
Queda - A quarta edição do Provão, realizada em junho por 160 mil graduandos (92% dos inscritos) de Administração, Direito, Economia, Engenharia Civil, Engenharia Elétrica, Engenharia Mecânica, Engenharia Química, Jornalismo, Letras, Matemática, Medicina Veterinária, Medicina e Odontologia, registrou nova queda no número de provas em branco. Segundo Paulo Renato, apenas 1,4% dos estudantes deixaram de responder ao exame, contra 11% na primeira edição do teste, em 1996.
Paulo Renato destacou que, entre os cursos criados nos últimos anos e submetidos ao Provão pela primeira vez, o número de conceitos A (o melhor, numa escala de A a E) foi proporcionalmente maior do que entre os cursos que já haviam participado de outras edições do exame. Paulo Renato fez questão de citar o caso do Direito, em que 20% dos 15 cursos estreantes, ou seja, 3 cursos, obtiveram conceito A, contra 16% (21) dos 131 cursos de Direito que já haviam participado do teste. Em administração, os 37,5% dos novos cursos ficaram com A, contra 21,3% dos antigos.
"É muito mais fácil mudar um curso novo", afirmou o ministro, para quem as avaliações promovidas pelo MEC nos últimos anos levaram a melhorias na qualidade do ensino, especialmente entre os cursos que surgiram nesse período. "Quero com isso responder àqueles que entendem que a criação de cursos deve ser proibida", concluiu, dirigindo-se à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que defende restrições à abertura de cursos de direito.
O ministro disse ainda que já considera o Provão consolidado no País e atribui ao teste melhorias na formação de professores, nas instalações físicas das universidades, como laboratórios e bibliotecas, e na organização curricular das instituições. Entre 1996 e 1998, segundo Paulo Renato, o número de professores com mestrado nas instituições públicas e privadas subiu 23%, de 37 mil para 45 mil, enquanto os docentes com doutorado passaram de 24 mil para 31 mil. Nas instituições privadas esse aumento foi ainda maior, atingindo 36%, no caso de mestres, e 37%, no de doutores.

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