O relatório não trata apenas do potencial da tecnologia em combater a fome, as doenças e a ignorância. Acentua a estreita vinculação, nos tempos atuais, entre o crescimento econômico - com distribuição de renda - e a pesquisa em ciência e tecnologia. Como notou a revista inglesa ‘‘The Economist’’, o trabalho da ONU vai no sentido oposto à crença de que o investimento em P&D (pesquisa & desenvolvimento) provoca concentração de renda entre os países e dentro deles. Um exemplo é a situação do Brasil, em que o desempenho tecnológico poderia induzir grande avanço no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) se houvesse maior e melhor investimento em educação e pesquisa.
Outra ênfase do relatório é na tecnologia como um investimento não só em inovação de produtos, mas também em processos novos de organização produtiva. Um país que possui pólos de pesquisa tecnológica pode criar formas de aumentar a produtividade, que têm reflexos para todos os setores e classes sociais.
‘‘As empresas dependem cada vez mais da capacidade produtiva estratégica’’, diz o economista Antonio Barros de Castro, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro. ‘‘O ciclo de produção é mais curto e competitivo e a demanda é cada vez mais exigente. Como agora os alvos são móveis, mudanças têm de ser introduzidas rapidamente.’’ O investimento em P&D é fundamental para uma empresa estar à altura desse dinamismo.
Foi por esse motivo que o relatório trouxe neste ano, pela primeira vez, o Índice de Desenvolvimento Tecnológico (IDT). Foram avaliados 72 países por sua capacidade de criar e usar tecnologia. Finlândia, EUA, Suécia e Japão foram os primeiros colocados porque possuem alta porcentagem de pessoas conectadas à Internet e com formação em ciências avançadas.
Trata-se, em outras palavras, de induzir um ciclo virtuoso. Para haver maior difusão tecnológica, é preciso desenvolvimento econômico; para haver desenvolvimento econômico, é preciso investir em P&D, além de educação e infra-estrutura. A tecnologia ajuda o desenvolvimento à medida que é ajudada por ele. Quanto mais se aproximar alimentação e computação, melhor para ambas.(A.E.)

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