Desempenho de alunos no Enem 2001 foi o pior em três anos
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2001
Leila Suwwan<bR>Agência Folha - De Brasília 
O desempenho médio dos alunos no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) em 2001 foi o pior na prova geral nos últimos três anos e apresentou queda de oito pontos na redação.
Por outro lado, devido às inscrições gratuitas oferecidas neste ano, foi o que contou com o maior número de inscritos - 1,2 milhão.
Apesar de ser o segundo resultado negativo consecutivo anunciado pelo governo na área da educação, o ministro Paulo Renato Souza (Educação) considera que os dados são ''positivos''. O Brasil foi o último colocado entre 32 países no Pisa, prova de leitura e compreensão de textos dirigida a alunos de 15 anos. A meta do Pisa e do Enem é parecida: testar a habilidade dos alunos de interagir na sociedade a partir de conhecimentos adquiridos na escola.
No Enem, 57% dos participantes tiveram classificação de insuficiente a regular nas questões gerais. O Pisa concluiu que os adolescentes brasileiros conseguem apenas tirar informações básicas de um texto. Esses resultados atestam que o ensino brasileiro está aquém do esperado.
A média na parte objetiva da prova do Enem foi 40,56, de um total de cem pontos. Na redação, a nota média foi 52,58. Em 2000, ficou em 60,87.
Segundo Paulo Renato, as médias não mudam muito quando os resultados são ajustados para eliminar as diferenças regionais e econômicas. Com a normatização, as médias deste ano tiveram uma queda geral entre quatro e cinco pontos.
O número de participantes aumentou de 332,5 mil para 1,2 milhão. Do total, 66% estudaram apenas em escolas públicas e tiveram uma média de 36,56 pontos, no geral, e 50,07, na redação.
As escolas particulares participaram com 19%, percentual próximo à distribuição real dos alunos. Esses estudantes atingiram a média de 53,57, no geral, e 61,57 na redação.
O relatório do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação que coordena o Enem, aponta, como possíveis fatores do baixo desempenho, a falta de ''bagagem'' de conhecimentos que dariam sentido aos textos. A coordenadora do Enem, Maria Inês Fini, considerou que a prova deste ano exigiu mais conhecimento didático que as anteriores.
Segundo o governo, o Enem teve uma taxa de abrangência de 47% dos concluintes do Ensino Médio, o que permite conhecer melhor o perfil desses alunos. A taxa de R$ 32 não foi cobrada de mais de 80% dos inscritos.
Dos participantes, metade tinha até 18 anos e 25% tinham 19 ou 20 anos. 60% tinham renda familiar de até cinco salários mínimos. ''Independentemente do perfil de renda, quase todos os alunos disseram ter acesso a bens de consumo'', disse Maria Helena Guimarães, presidente do Inep.


