Brasília, 14 (AE) - Os participantes do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) que cursaram o ensino médio (antigo 2.º grau) em escolas particulares tiveram desempenho, na média nacional, pouco melhor do que os alunos da rede pública. Na prova objetiva, a diferença ficou em menos de um ponto e meio: 5 9 (escala de 0 a 10) contra 4,43. Na redação, menos de um ponto: 5,51 contra 4,54.
"As diferenças não são tão grandes quanto as pessoas achavam que fosse", disse hoje o ministro da Educação, Paulo Renato Souza. Mas, na faixa de resultados considerados bons e excelentes, a proporção de alunos do ensino pago superou em até mais de três vezes os egressos da rede pública.
Notas - Com 63 questões, a prova objetiva de conhecimentos gerais do Enem teve média nacional 5,19, incluídos tanto os alunos das escolas públicas quanto os das privadas. Dos 315 mil participantes, apenas 18% conseguiram nota superior a 7. Entre os estudantes que cursaram todo o ensino médio na rede privada, no entanto, esse índice foi bem maior: 27,6% deles obtiveram resultado acima de 7, desempenho atingido por apenas 8 1% dos alunos da rede pública.
O mesmo ocorreu na redação. Enquanto 20,8% dos estudantes da rede privada tiveram nota acima de 7 nesse item, apenas 10,4% dos alunos da rede pública ficaram nessa faixa considerada boa ou excelente.
Fatores sociais - O Relatório Parcial do Enem 1999 destaca que o "desempenho é significativamente melhor para os participantes egressos da escola particular". Mas ressalva que a diferença não pode ser atribuída unicamente ao fato de os alunos terem estudado em escola pública ou privada. "Pois a grande maioria dos participantes das escolas particulares apresenta um conjunto e fatores sociais mais favoráveis ao desenvolvimento pessoal, tais como: moradia, maior escolaridade dos pais, condições e acesso à leitura de periódicos e revistas, entre outros", registra o relatório.
O total de alunos procedentes de escolas particulares no ensino médio foi de 49%, contra 43% da rede pública e 8% de participantes que cursaram parte do ensino médio em cada uma das redes. Segundo Paulo Renato, a proporção de egressos da rede pública e privada no Enem é bastante diferente em relação ao Brasil, onde as escolas públicas atendem 84% dos estudantes e as privadas, 16%.
Mau desempenho - Na ponta de baixo da avaliação, entre os piores resultados, a proporção de egressos do ensino público superou em mais de três vezes a do ensino pago. Na prova objetiva, 47% dos participantes que só estudaram na rede pública receberam notas abaixo de 4. Entre os estudantes da rede privada
porém, essa proporção foi de 15,7% dos alunos. Na redação ocorreu o mesmo: 40,4% dos egressos de escolas públicas tiveram desempenho abaixo de 4, resultado obtido por 21,9% dos alunos da rede privada.
Dos 8% de participantes que cursaram o ensino médio em ambas as redes, quase um terço (30,3%) ficou com nota abaixo de 4 na prova de conhecimentos gerais - 13,9% superaram a nota 7. Na redação, 33% deles tiveram o resultado abaixo de 4, enquanto 13,5% ficaram acima de 7.
Alunos - O melhor desempenho dos alunos de escolas particulares não impediu que, entre os estudantes com as maiores notas, houvesse espaço para egressos da rede pública. Pelo menos três dos dez alunos com melhor desempenho no Enem estudaram o ensino médio em escolas públicas. Francisca Mortara San Martin, de Campinas, Edson Roberto Didone Júnior, de Santa Bárbara do Oeste (SP) e Christianne Basílio e Silva, do Rio, concluíram o ensino médio em três anos.

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