Desembargadores e PF do MT trocam acusações
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quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 30 (AE) - Numa queda-de-braço, membros do Judiciário de Mato Grosso e a Polícia Federal (PF) estão trocando acusações. O superintendente da PF no Estado, Claúdio Luiz da Rosa, rechaçou hoje as críticas feitas por desembargadores sobre o andamento das investigações que apuram o assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, encontrado morto no início do mês, no Paraguai. O presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Wandyr Clait Duarte, acusou a PF de omitir informações sobre o "caso Leopoldino" com objetivos políticos. Na avaliação dele, a demora na elucidação do assassinato do juiz - que fez graves denúncias contra a maioria dos desembargadores - está contribuindo para manutenção de uma campanha difamatória contra o Judiciário e o Estado. "Os desembargadores entendem de recursos e a Polícia Federal entende de investigações", rebateu Rosa. Sobre as críticas de que a PF estaria usando as investigações para interesses políticos, Rosa afirmou: "Respeitamos a opinião do desembargador, mas gostaríamos que ele apontasse e esclarecesse com clareza que aspectos políticos são esses." Segundo o delegado, a competência das investigações é da PF, que vai continuar mantendo a mesma linha até o fim dos trabalhos.
Hoje, em visita ao prédio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Mato Grosso, o desembargador voltou a criticar a PF. "O Estado não pode continuar sendo hostilizado por causa dessa morte", disse Duarte. Ele negou que as visitas a deputados, empresários, advogados e ao governador Dante de Oliveira (PSDB) tenha como objetivo "abafar" as denúncias do juiz contra 16 dos 20 desembargadores. Entre as acusações, estão venda de sentença, assédio sexual, manipulação de concurso público e envolvimento de alguns magistrados com o narcotráfico. "Ninguém merece acusações sem prova concreta", reagiu.
Segundo o desembargador, as instituições e poderes precisam unir-se para não deixar que a imagem do Estado continue sendo "manchada". Ele disse que a PF criou muita expectativa, mas adiou para 60 dias o prazo de conclusão das investigações.
A cada crítica feita por desembargadores nos últimos dias, a PF tem a resposta. "Temos obrigação de preservarmos as fontes das investigações até por uma questão de segurança", disse o superintendente. "Temos de preservar até a vida do matador se quisermos chegar aos mandantes."


