Cuiabá, 06 (AE) - Dois meses após denúncias da existência de uma rede de corrupção no Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso feitas pelo juiz assassinado Leopoldino Marques do Amaral, os desembargadores do Estado manifestaram-se em nota oficial, alegando desconhecer o empresário Josino Guimarães, acusado de ser "corretor de sentenças" no órgão. "Os membros componentes das Câmaras Criminais do Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso, desembargadores Benedito Pompeo de Campos Filho, Shelma Lombardi de Kato, Rubens Oliveira Santos Filho, Antônio Bittar Filho e Flávio José Bertin, desconhecem o cidadão Josino Guimarães", diz o texto.
A divulgação da nota à imprensa teria sido motivada pelo depoimento, ontem (06), à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado do advogado Marco Aurélio Rodrigues Ferreira, que apresentou fotocópia de dois cheques de R$ 5 mil, que seriam parte de pagamento de R$ 70 mil por uma sentença favorável. O advogado afirmou à CPI do Judiciário que foi coagido por Guimarães, que teria dito ser assessor de desembargadores do TJ de Mato Grosso, a comprar por R$ 70 mil o resultado de um julgamento. O depoente entregou à comissão fotocópia de dois cheques emitidos por ele, ambos no valor de R$ 5 mil, que teriam sido entregues ao empresário, em Cuiabá, no dia do acerto do negócio. Amparado por uma liminar do Supremo Tribunal Federal (STF), Guimarães não respondeu a nenhuma pergunta feita pelos senadores. Além dos R$ 10 mil, Ferreira afirmou que outros R$ 20 mil foram depositados numa conta bancária especificada pelo empresário. O advogado acrescentou que a Polícia Federal (PF) está de posse de cópia do comprovante da transferência do dinheiro. Os R$ 40 mil restantes, segundo acrescentou, somente deveriam ser pagos após o sogro Sebastião Queiroz, ex-proprietário da fazenda envolvida na questão judicial, receber da empresa Primorosa, que ganhou na Justiça o direito sobre 7.200 hectares de terra, o valor referente às benfeitorias que ele fez na propriedade.

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