Desembargadora mantém julgamento de Rainha
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segunda-feira, 17 de março de 1997
Agência Estado 
RIO - A desembargadora Catharina Maria Novaes Barcellos, do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJ-ES), negou ontem o pedido de adiamento do julgamento do líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha Júnior, pelo assassinato do fazendeiro José Machado e do soldado da Polícia Militar José Narciso. Com a decisão, o júri de Rainha está mantido para quarta-feira em Pedro Canário, na divisa com a Bahia - cidade onde aconteceu o crime, em junho de 1988.
A decisão complica a situação de Rainha com a Justiça. Ele está foragido porque tem prisão preventiva decretada pelo juiz de Sandovalina (SP), Darci Beraldo, assim como outros quatro líderes do MST. Caso Rainha não compareça ao júri, preferindo continuar escondido, o julgamento por duplo homicídio não vai acontecer, terá de ser adiado. Mas o líder sem-terra vai ter sua prisão preventiva pedida pelo juiz de Pedro Canário, Sebastião Mattos Mozine.
A desembargadora Catarina se baseou nas informações oferecidas pelo juiz de Pedro Canário para negar o pedido, cujo argumento foi de que a segurança de Rainha e a isenção dos jurados estariam comprometidas se não houvesse transferência do julgamento.
Em comunicação à desembargadora, Mozine afirmou que o fórum do município é protegido por grades nas janelas e fica ao lado de uma companhia da Polícia Militar, composta por 50 homens. Mozine informou ainda que de todos os 21 moradores escolhidos para participar de júris este ano em Pedro Canário, o único que era fazendeiro pediu dispensa por motivos de saúde.


