Salvador, 03 (AE) - As ameaças de processo feitas pelo deputado estadual Pedro Alcântara (PFL) e desembargador Mário Albiani fizeram o desembargador Lourival Ferreira publicar uma dura nota hoje nos jornais de Salvador. Ferreira reafirmou suas primeiras denúncias, segundo as quais Alcântara, Albiani e o desembargador Walter Brandão fizeram lobby para ele conceder habeas-corpus em favor do assaltante Vander Dornelles. E devolveu as acusações de falta de credibilidade que lhe fez Albiani, revelando fatos sobre os bastidores da Justiça baiana.
Sem se intimidar, Ferreira esclareceu que não se retratou no Pleno (conselho formado pelos 29 desembargadores) do Tribunal de Justiça da Bahia, conforme informou nota oficial assinada pelo presidente do TJ, Jatahy Fonseca. "A multifalada retratação não ocorreu", disse, notando ter havido "a explicação do termo pressão para caracterizar os diversos e repetidos pedidos em favor do assaltante Valder Dornelles, que me constrangeram, mesmo porque nenhuma das autoridades apontadas dispõe de poderes para tal, pois não somos subordinados nem devemos obediência a qualquer delas", disse. "E o dicionário diz que pressão é também influência constrangedora e isso ocorreu."
Ferreira rebate as acusações de "leviano e pessoa sem credibilidade" que lhe fez Albiani. "Tratando-se de credibilidade, se fosse nossa intenção descer ao nível... ou desnível do que o desembargador propala, não teríamos dificuldades de encontrar no currículo do acusador fatos diversos, inclusive uma alentada representação intentada por ex-governador."
Ferreira refere-se ao pedido feito, em 92, pelo então governador Antonio Carlos Magalhães (PFL) para o TJ apurar denúncias de irregularidades cometidas por Albiani, que teria aplicado créditos recebidos de instituições oficiais, se hospedado em hotéis de luxo por seis meses de graça, enquanto sua casa era reformada, e ter conseguido em cartório reduzir a idade em um ano para escapar da aposentadoria compulsória. Por fim, Ferreira disse esperar "calmamente" que Albiani e o Alcântara tentem processá-lo "para que seja possível debater e elucidar de onde estão partindo as atitudes levianas". O desembargador disse que só pretende falar no assunto quando for depor na CPI do Narcotráfico.

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