Rio, 13 (AE) - O ex-deputado Sérgio Naya vai continuar em liberdade. O desembargador Alberto Craveiro, da 5.ª Câmara Criminal, negou hoje liminar em mandado de segurança impetrado pelo Ministério Público Estadual pedindo a revogação da decisão do juiz da 33.ª Vara Criminal, Heraldo Saturnino de Oliveira, que libertou o deputado cassado na terça-feira.. O mérito do mandado será julgado pelos desembargadores da 5.ª Câmara Criminal, em sessão ainda sem data prevista, pois os órgãos de segunda instância do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro estão em recesso até o fim de janeiro.
Naya é acusado de desabamento culposo. Ele é dono da construtora Sersan, responsável pela construção do edifício Palace 2, que desabou e matou oito pessoas no Rio, no carnaval de 1998. Em despacho com menos de 10 linhas, Craveiro entendeu não ser necessária a prisão preventiva, "ainda que relevantes os fundamentos do pedido". Para Craveiro, a libertação de Naya não "prejudicará a eficácia da decisão que eventualmente venha a acolhê-lo".
A promotora Cláudia Perlingeiro vai entrar com agravo regimental no Tribunal de Justiça, solicitando que a liminar seja julgada por outro desembargador, que não tenha analisado o caso ainda. O recurso impetrado pela promotora na 33.ª Vara Criminal, para que Saturnino reconsidere sua decisão, ainda não foi julgado.
Moradores - Os ex-moradores do Palace 2 não se surpreenderam com a decisão. "Quando eu soube que era o Craveiro quem iria decidir nem me dei o trabalho de ir ao fórum", afirmou a presidente da Associação de Vítimas do edifício, Rauliete Barbosa Guedes. "Ele foi favorável à revogação da prisão preventiva no julgamento do mérito do habeas-corpus e de forma alguma agiria diferente."Rauliete respondeu às provocações de um interlocutor de Naya, que insinuou que ela estivesse fazendo campanha para vereadora."Ainda não é minha pretensão, mas se for, vou representá-lo melhor do que ele me representou nesses mandatos"
disse.
Sindicância - O carceireiro que escondeu Naya em seu carro para evitar que o ex-deputado fosse cercado por repórteres na saída da prisão especial de Ponto Zero se apresentou hoje ao corregedor da Polícia Civil, Waldyr Arruda. Ele negou ter recebido dinheiro para ajudar Naya e disse que agiu "numa situação de emergência, a fim de evitar possível linchamento". Arruda quer saber se ele recebeu ordem do diretor da Polinter, álvaro Lins dos Santos, para transportar o ex-deputado. "Um ou outro vai responder ao Código de Ética", afirmou Arruda.

mockup