Desembargador morre aos 68 anos em Curitiba
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terça-feira, 18 de novembro de 2003
Leandro Donatti<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Considerado uma das mais expressivas autoridades brasileiras na área de Direito do Trânsito, o desembargador Octávio Valeixo morreu ontem em Curitiba, aos 68 anos, vítima de insuficiência cardíaca. O desembargador voltou recentemente de uma licença médica, quando assumiu a presidência do inquérito que apura denúncias de exploração sexual contra menores em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba.
Pela manhã, Valeixo ouviu os depoimentos de duas menores envolvidas no caso, quando sentiu-se mal e foi hospitalizado, vindo a morrer horas mais tarde, às 17h30, na UTI do Hospital Nossa Senhora das Graças, conforme nota oficial divulgada pelo Poder Judiciário. O presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Oto Sponholz, decretou luto oficial de três dias e suspensão do expediente nas repartições judiciárias de Curitiba.
Por sugestão do governador Roberto Requião (PMDB), o corpo do desembargador será velado no saguão do Palácio Iguaçu, sede do Poder Executivo. O sepultamento está marcado para hoje, no Cemitério Parque Iguaçu, às 17 horas.
O desembargador integrou, no período de 1979 a 1988, em Brasília, o Grupo Interministerial de Segurança de Trânsito. Em razão do trabalho desenvolvido na área de delitos de trânsito, foi um dos membros fundadores e presidente por dois períodos do Conselho Comunitário de Trânsito de Curitiba, além de coordenador estadual do Programa ''Pare'' do Ministério dos Transportes, com fundamental participação na elaboração do Novo Código Brasileiro de Trânsito.
O desembargador, que assumiu o cargo no TJ em 1996, era considerado uma das maiores autoridades brasileiras na área de trânsito, sendo frequentemente consultado, até mesmo, por organismos internacionais.
Filho de José Cesar Valeixo e Isolde Valeixo, o desembargador nasceu em Curitiba, em 19 de maio de 1935. Formado em Direito em 1959, pela Faculdade de Direito de Curitiba, ingressou na magistratura em 1964. Passou pelas comarcas de União da Vitória, Irati, Apucarana, Mandaguaçu, Paranacity, Telêmaco Borba e Curitiba. No período de 1979 a 1990, foi titular da 1 Vara de Delitos de Trânsito, onde conseguiu consolidar a tese do dolo eventual nos crimes de trânsito. Em 1990, foi promovido ao cargo de juiz do Tribunal de Alçada. Valeixo deixa mulher e cinco filhos.


