Desembargador e juiz de MG voltam amanhã ao trabalho
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terça-feira, 21 de setembro de 1999
Por Ivana Moreira 
Belo Horizonte, 22 (AE) - Após três dias de uma greve de advertência, desembargadores e juízes de Minas Gerais voltam amanhã (23) ao trabalho. Cerca de 720 magistrados aderiram ao movimento, de acordo com a Associação dos Magistrados Mineiros (Amagis). Em torno de 1,3 milhão de processos ficaram parados desde segunda-feira (20), em 286 comarcas.
Na avaliação do presidente da Amagis, Elpídio Nunes Donizetti, o movimento foi vitorioso. "Não podíamos nos calar diante das condições de penúria do Judiciário mineiro." A principal reivindicação dos juízes grevistas era o reajuste de 25% no orçamento do Poder Judiciário, que este ano foi de R$ 491 milhões.
O governador em exercício, Newton Cardoso (PMDB), anunciou um aumento do orçamento para 2000. A princípio, Cardoso havia prometido 18% de reajuste. Depois, recuou, limitando o reajuste a 8%. Sem querer polemizar sobre a atitude do governador em exercício, o presidente da Amagis afirmou que o importante é o fato de a paralisação ter provocado uma proposta de reajuste, independentemente do índice.
Além do aumento da verba orçamentária, os juízes mineiros reclamaram das más condições de trabalho e baixo número de magistrados para atender a população. Em Minas Gerais, há juízes responsáveis por até três varas e cerca de 2,5 mil processos por ano. Eles reinvindicam o envio de um projeto de lei à Assembléia Legislativa, por parte do Tribunal de Justiça (TJ), para criar novas vagas para juízes e servidores.
Cardoso, que não recebeu os juízes grevistas em audiência, classificou hoje o movimento da Amagis de injusto. Segundo ele, a paralisação prejudicou muito a população mineira.


