São Paulo, 27 (AE) - O parentesco entre o desembargador Hermes Pinottti, 4.º vice-presidente do Tribunal de Justiça (TJ)
e o médico José Aristodemo Pinotti (PSB), que deve R$ 200 mil ao empresário Jorge Yunes, causou mal-estar no Ministério Público Estadual (MPE). O desembargador foi quem suspendeu ontem (26) a liminar que afastava Celso Pitta da Prefeitura. O prefeito foi afastado do cargo pelo juiz Olavo Sá Pereira da Silva, da 13.ª Vara da Fazenda Pública, por causa do empréstimo de R$ 800 mil que recebeu de Yunes.
Na opinião de promotores e procuradores, o desembargador deveria ter se declarado "impedido" para apreciar o mandado de segurança de Pitta. Integrantes do MPE falam ainda que o episódio criou uma "situação delicada" entre a instituição e o Poder Judiciário. Os mais antigos, no entanto, não aconselham nenhuma ação contra o desembargador para evitar um "desgaste desnecessário".
Aristodemo Pinotti, que foi candidato a vice-governador na chapa de Francisco Rossi em 1998 e é professor da USP, disse hoje que o desembargador, seu primo em terceiro grau, não sabia do empréstimo, feito em 1996. "Somos muito ligados mas nunca falei sobre isso com o Hermes", disse o médico. O empréstimo, segundo ele, foi usado na compra de uma casa na praia da Enseada
no Guarujá, litoral sul. "Sou muito amigo do Jorge e ele me fez um favor", completou o médico. Mesmo ressaltando não ver nada de errado no fato de ter pedido o dinheiro para comprar o imóvel, o médico garantiu que já pediu um empréstimo bancário para pagar Yunes. "É para evitar outros transtornos", justificou.
Nota - O desembargador divulgou hoje nota à imprensa afirmando que não estava impedido de apreciar o mandado de segurança, pois o caso não envolve seu primo. "Eu não sabia do empréstimo que o professor Pinotti teria recebido do empresário Yunes e, ainda que soubesse, não haveria razão para me manisfestar sobre isso", diz a nota.
Na mesma nota o 4.º vice-presidente do TJ comentou as críticas de Nicéa Pitta sobre sua decisão: "Comentário irrelevante, mesmo porque ditado pela paixão decorrente de problemas familiares dela."
O desembargador finalizou a nota declarando que ficaria triste se sua decisão fosse criticada por colegas juízes, integrantes do Ministério Público e advogados que o conhecem.

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