Salvador, 06 (AE) - Apontado como uma das três pessoas que pressionaram o desembargador Lourival Ferreira a conceder habeas-corpus em favor do assaltante Vander Dornelles, o desembargador Walter Brandão confirmou que tratou com o colega sobre o caso, sem contudo, fazer lobby. "Falei com ele, corriqueiramente, como se trata de um assunto qualquer", disse numa rápida entrevista enquanto andava pelos corredores do Tribunal de Justiça da Bahia em direção ao seu gabinete.
No final do ano passado, Brandão concedeu um habeas-corpus em favor de Dornelles (cassado posteriormente pelo Conselho de desembargadores do TJB) que foi preso por assalto a caminhões de carga. Em liberdade, Dornelles voltou a assaltar sendo preso em fevereiro, quando tentou novamente sair da cadeia por meio de habeas-corpus.
No final de semana, o deputado Lino Rossi (PSDB-MS), membro da CPI do Narcotráfico, confirmou para os jornais de Salvador a informação de que a comissão tem uma carta de um ex-patrulheiro rodoviário, em que ele denuncia que Dornelles teria pago R$ 100 mil para ser libertado. O ex-patrulheiro, que também será ouvido pela CPI, foi colega de cela de Dornelles e teria ouvido do próprio a informação do suborno. Sobre o assunto, o desembargador evitou fazer qualquer comentário.
Disse apenas que concedeu o habeas-corpus por entender que os seus despachos estavam certos. "Vou provar isso." Brandão disse que "por enquanto" não pretende processar o colega Ferreira. "Vou responder oficialmente, na oportunidade, quando for chamado a isso", disse.
Já o desembargador Mário Albiani, outro citado no caso, pretende processar Ferreira no Superior Tribunal Federal caso nas notas taquigráficas na sessão do Tribunal Pleno seu nome apareça como um dos que teriam pressionado o magistrado. "Ele é leviano", repetiu Albiani ao se referir a Ferreira.
Mesmo garantindo não ter pressionado o colega, Albiani confirmou que os pedidos a desembargadores são comuns. "Não é só deputado não, qualquer pessoa do povo que chega aqui muitas vezes pede para agilizar o processo, são funcionários humildes, pobres coitados que vêm aqui", descreveu. Esta semana a CPI do Narcotráfico deve ouvir os desembargadores baianos.

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