Desembargador de MT é intimado para depor à CPI
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Nelson Francisco (especial para a AE) 
Cuiabá, 08 (AE) - O desembargador de Athaíde Monteiro da Silva, de Mato Grosso, foi intimado hoje a depor à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado. O requerimento foi aprovado em reunião secreta da comissão.
Temendo falta de quórum nas sessões da próxima semana, por causa do feriado de terça-feira (12), Dia de Nossa Senhora Aparecida, a CPI ainda não definiu oficialmente a data e o horário em que o desembargador, acusado de negociar sentença no Tribunal de Justiça (TJ) de Mato Grosso, vai depor. Silva foi acusado de negociar, por meio do empresário Josino Guimarães, o deferimento de uma liminar sobre demarcação de terra por R$ 70 mil. A denúncia foi feita pelos advogados Elarmin Miranda e Marco Aurélio, que apresentou à CPI comprovante do pagamento.
O desembargador - o primeiro dos 16 magistrados denunciados pelo juiz assassinado Leopoldino Marques do Amaral a depor - disse, por meio da Assessoria de Imprensa, que está pronto para atender à convocação da CPI. A CPI, que se reúne três vezes por semana, deve marcar o depoimento entre os dias 19 e 21. A CPI prorrogou para 30 de novembro a conclusão dos trabalhos, especialmente para apurar as denúncias feitas por Amaral contra a maioria dos desembargadores de Mato Grosso. Entre as acusações, estão venda de sentenças, nepotismo, assédio sexual e ligação com o narcotráfico. Até agora, a comissão tomou cinco depoimentos. Miranda e o advogado Lucídio Filho se dizem testemunhas de que Guimarães se declarou assessor de Silva e propôs R$ 100 mil por uma "decisão judicial" do TJ. Aurélio confirmou a denúncia e apresentou comprovantes do pagamento. A advogada Elizabete Miranda Rocha disse apenas que presenciou uma reunião no escritório, quando Elarmin relatou o caso a Amaral. Guimarães, por sua vez, reservou-se o direito de permanecer calado diante da CPI.


