Descuido de empresa provocou morte de peixes no rio Tietê
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quinta-feira, 30 de março de 2000
Por José Maria Tomazela 
Salto, SP, 31 (AE) - Um descuido da Empresa Metropolitana de águas e Energia (EMAE) ao fazer a descarga de fundo do reservatório da Usina de Rasgão, em Pirapora do Bom Jesus, na Grande São Paulo, foi a causa da grande mortandade de peixes registrada há um mês no Rio Tietê. A conclusão é da Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb). O lodo liberado pela represa matou dezenas de toneladas de peixes numa extensão de 60 quilômetros do rio, entre os municípios de Salto e Tietê.
A empresa foi multada hoje em 10 mil Unidades Fiscais do Estado de São Paulo (Ufesp), equivalentes a R$ 93 mil, mas ainda pode recorrer contra a atuação. Até o fim da tarde, a EMAE não tinha confirmado se entrará com recurso. O laudo, entregue ao promotor Fernando Góes Grosso, curador do meio ambiente de Salto
vai servir de base para a abertura de ação civil pública contra a empresa para cobrança de indenização por danos ambientais.
De acordo com a Cetesb, a EMAE solicitou autorização para fazer reparos numa das comportas de fundo do reservatório da hidrelétrica que não estava fechando completamente. Para a realização desse trabalho, era necessário o rebaixamento do nível do reservatório além dos praticado em sua operação normal. O serviço foi autorizado com a recomendação de um cuidadoso acompanhamento ambiental, em razão dos riscos que envolvia.
Segundo o laudo da Cetesb, ao descarregar o reservatório sem esse acompanhamento, a EMAE permitiu que uma grande quantidade de lodo de fundo fosse arrastada, reduzindo a concentração de oxigênio dissolvido a valores que impediram a sobrevivência dos peixes. "Formou-se uma onda, com grande concentração de lodo, que ao escoar pelo rio, foi consumindo o oxigênio presente nas águas", diz o texto.
Os técnicos constataram a morte de peixes de várias espécies - tabaranas, lambaris, acarás, corimbatás, chamborés, piaparas, bagres e cascudos. "Tanto as espécies de escamas como as de couro, estas mais resistentes, foram afetadas", diz o laudo. O vereador Geraldo Garcia (PSDB), de Salto, que entregou o documento ao Ministério Público, disse que a recuperação da fauna aquática afetada por demorar anos. "As aves aquáticas, como biguás e garças, que se alimentavam desses peixes, também tiveram sua presença bastante reduzida no rio."


