Descredenciamento de médicos é tema de reunião
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segunda-feira, 04 de julho de 2011
Fábio Galão <br> Equipe da Folha 
Curitiba - Em um encontro realizado ontem em Curitiba, promovido pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor da Capital, foi discutido o possível descredenciamento de médicos das operadoras de planos de saúde que atuam na cidade e em todo o Paraná. Participaram do evento representantes do Ministério Público (MP), Procon Estadual, da Associação dos Hospitais do Paraná, Unimed Curitiba, Fundação Copel e de entidades representativas dos médicos.
Os profissionais alegam que estão há mais de 10 anos sem reajustes devidos de honorários pagos pelos planos de saúde. Em reunião realizada na semana passada, decidiram romper com as operadoras devido à ''ausência de negociações'', segundo a Associação Médica do Paraná (AMP).
''Soubemos que a classe médica de São Paulo deve em breve iniciar um processo de descredenciamento dos planos de saúde, o que indica que a questão extrapola o Paraná'', apontou o promotor Clayton de Albuquerque Maranhão. A imprensa não pôde acompanhar a reunião. Os jornalistas puderam presenciar apenas a abertura do encontro e fazer captação de imagens dos primeiros minutos do evento.
Antes do debate, a AMP relatou que vem tentando negociar desde agosto de 2010. A única categoria que havia confirmado o efetivo descredenciamento é a dos anestesiologistas, mas, segundo a associação, desde a reunião da semana passada, a adesão de médicos de outras especialidades vem aumentando.
''Como o descredenciamento é feito individualmente, temos dificuldades para mensurar quantos profissionais já fizeram a solicitação. Mas temos informações de que médicos de pelo menos 15 diferentes especialidades já começaram a pedir o descredenciamento'', informou Fabiano Araújo, advogado da AMP. O Ministério Público estima que haja no Paraná atualmente cerca de 900 mil usuários de planos de saúde privados.
''O MP não é um órgão regulador. Entendemos que há uma lógica de mercado nessa questão e não temos o objetivo de intervir. Mas temos visto uma perplexidade dos cidadãos que pagam em dia suas mensalidades e não sabem o que vai acontecer. O objetivo é que os contratos com os usuários sejam respeitados'', disse o promotor Maranhão.
Ele sugeriu a adoção de ''uma rotina''. ''Por exemplo, as operadoras poderiam ter em um site dados atualizados dos médicos descredenciados e dos contratados, enquanto a questão nacional não é resolvida'', afirmou. Até o início da noite, a reunião não havia sido encerrada. O MP deve divulgar oficialmente hoje as ações definidas no encontro.


