As células auditivas possuem um sistema de defesa contra drogas tóxicas. A descoberta, inédita na literatura médica, foi feita por pesquisadores da USP de Ribeirão e pode auxiliar no tratamento da ototoxidade (capacidade de lesar o aparelho auditivo).
Os testes foram feitos com um antibiótico chamado amicacina, uma droga potente e de baixo custo, que é utilizada em tratamentos de pneumonia, problemas renais e intestinais.
‘‘No entanto, ela é extremamente prejudicial ao ouvido e causa perdas auditivas irreversíveis. Por isso o uso é restrito’’, disse o professor José Antônio de Oliveira, um dos coordenadores do projeto. Ele disse que pequenas doses da droga (que não causam efeito nocivo) aplicadas no ouvido das cobaias fez com que se criasse uma resistência natural nas células do ouvido. ‘‘Aumentou a imunidade às perdas auditivas em até 56,67%.’’
O processo poderia ser relacionado com o que ocorre na aplicação de uma vacina, mas os dois casos são bastante diversos. ‘‘É preciso lembrar que a vacina é um vírus enfraquecido que se aplica para que o organismo crie anticorpos. A imunidade seria, portanto, a micróbios, vírus ou bactérias. No caso do processo que descobrimos, ele é com drogas tóxicas em células auditivas.’’
Oliveira disse que o processo pode se ampliar muito. ‘‘Descobrindo como funciona essa defesa; como ela foi criada, podemos recriá-la e aumentá-la para níveis ainda maiores.’’ A equipe irá agora realizar pesquisas com outras drogas. ‘‘O mecanismo que funcionou com a amicacina pode ocorrer com outras substâncias. Podemos descobrir que outras drogas têm proteção contra elas mesmas.’’ A pesquisa da USP ganhou um prêmio no 35º Congresso Brasileiro de Otorrinolaringologia, que englobou também o 5º Congresso de Trabalhos Científicos em Otorrinolaringologia e o 9º Congresso Ibero-Americano.

mockup