A polícia descobriu ontem o primeiro laboratório para a fabricação de ecstasy no País. A droga do amor, como é conhecida, era produzida em um apartamento de um edifício de classe média na periferia de São Paulo.
A descoberta deixa a polícia preocupada com o risco de a droga já estar disseminada e, principalmente, mais barata. É que os comprimidos apreendidos até agora vieram de fora, da Holanda e da Alemanha, o que os tornava relativamente caros e raros.
Em cinco anos e meio, o Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc) apreendeu em São Paulo 2,3 mil comprimidos - todos produzidos no exterior. Só com a matéria-prima recolhida ontem no apartamento poderiam ser fabricados cerca de 10 mil unidades do ecstasy nacional.
Casas noturnas de São Paulo e raves - festas abertas com som eletrônico - eram o destino final da droga, da mesma família das anfetameninas e que age diretamente no sistema nervoso central, causando euforia, agitação e aumento do apetite sexual - por isso, o apelido ‘‘droga do amor’’.
‘‘A preocupação é maior agora, com a droga sendo produzida no País, porque o preço tende a diminuir’’, afirma o delegado Marcelo Gasparino Silva, do Denarc, que coordenou a ação.
Pelos cálculos do Denarc, o laboratório tinha capacidade para fabricar 10 mil comprimidos por mês. No local, havia nove litros de benzeno, três de acetona e 2,5 kg de MDMA (metilenodioximetanafetamina), princípio ativo do ecstasy -todos produtos de venda controlada no País.
‘‘É uma droga muita difícil de ser encontrada em razão do tamanho, porque pode ser escondida na roupa, em gola de camisa ou dentro do tecido’’, afirma o delegado Ubiracyr Pires da Silva, divisionário do Denarc.
Os policiais prenderam cinco pessoas, três delas ligadas a boates de São Paulo: o modelo e promoter Glauco Caruso Goulart, 27, o DJ Miguel Angelo Fusco Júnior, 21, a promoter Carla Vieira, 28, o estudante de engenharia Thiago de Oliveira, 21, e a estudante Danyelly Dias Oliveira, 19. Eles estavam em um flat na Vila Nova Conceição, às 19 horas de anteontem, onde foram encontrados 51 comprimidos de ecstasy.
Segundo o Denarc, o grupo estava enchendo cápsulas com a droga, em dosagens apropriadas para o consumo.

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