Descoberto gene humano de defesa contra o ataque do vírus da Aids
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 15 de julho de 2002
France Presse 
Paris - Um gene humano que representa um novo tipo de resistência ao vírus da Aids (HIV) foi descoberto por uma equipe anglo-americana de cientistas, cujos trabalhos foram publicados no site da revista britânica Nature. Essa descoberta ''pode abrir caminho para a preparação de novos tratamentos contra a Aids'', afirmam os cientistas.
O gene, denominado CEM15, dá uma resistência natural ao vírus, mas é normalmente neutralizado por uma pequena proteína do HIV, chamada Vif (virion infectivity facteur).
O professor Michael Malim, do Kings College de Londres, e a equipe da doutora Ann Sheehy, da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia, estudaram células infectadas por uma forma defeituosa por estar desprovida de Vif do HIV. Os cientistas comprovaram que o gene CEM15 interfere no ciclo de reprodução do HIV, tornando as novas partículas viróticas não infecciosas, e portanto inofensivas.
''Esses resultados são muito importantes e podem abrir caminho para novos tratamentos no futuro'', segundo o professor Malim. ''Se encontrarmos um meio para bloquear a ação do Vif, ele deixaria o gene CEM15 trabalhar corretamente para impedir a difusão do HIV'', explica.
Os medicamentos anti-retrovirais lançados até agora atuam bloqueando enzimas que possibilitam a reprodução do vírus no organismo. São capazes de reduzir o vírus no sangue a um nível quase impossível de ser detectado, mas não o elimina completamente.
Além disso, esses tratamentos administrados com coquetéis produzem a longo prazo efeitos secundários e o vírus pode se tornar resistente à sua eficácia terapêutica. Por isso, é preciso buscar novos enfoques terapêuticos.
''Os tratamentos baseados em outra proteína-chave do vírus, a proteína Env, que permite o HIV penetrar nas células e infectá-las, estão sendo provados com certo sucesso em ensaios clínicos''. Assim, sabemos que existe um ''potencial'' nas pesquisas sobre o Vif para encontrar um novo meio de combater o vírus, considera o professor Malim.
''É um projeto muito ambicioso, mas podemos esperar que o Vif seja desenvolvido como um novo alvo terapêutico nos próximos dez anos'', afirma.


