Descoberto esqueleto de nova espécie humana
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quarta-feira, 27 de outubro de 2004
Claudio Angelo<br>Folhapress 
São Paulo, SP- Os hobbits podem até ser criaturas de ficção. Mas uma raça de pessoas de um metro de altura conviveu em tempos passados com o homem moderno. Trata-se do mais novo membro do gênero humano, cujos fósseis foram desenterrados numa caverna na ilha de Flores, Indonésia.
Batizada de Homo floresiensis por seus descobridores, a nova espécie está sendo considerada um dos maiores achados da paleoantropologia nas últimas décadas. Ela se extinguiu provavelmente há apenas 12 mil anos, no final da Idade do Gelo, época em que o Homo sapiens já havia colonizado todo o planeta e -acreditava-se- era o último representante da linhagem dos hominídeos.
Os fósseis, um esqueleto completo e partes de seis outros indivíduos, indicam que o H. floresiensis era uma espécie anã, cujos adultos não passavam de um metro de altura. Seu crânio abrigava o menor cérebro já visto entre hominídeos -do tamanho do de um chimpanzé.
''Foi uma surpresa imensa, porque tudo o que estudamos dizia que pessoas com um cérebro desses e um tamanho desses haviam andado sobre a Terra pela última vez há 3,5 milhões de anos'', disse à Folha de S.Paulo o paleoantropólogo australiano Peter Brown, da Universidade da Nova Inglaterra, que descobriu o H. floresiensis e o descreveu, juntamente com colegas da Indonésia e da Austrália, na edição de amanhã da revista científica ''Nature'' (www.nature.com).
O esqueleto tem 18 mil anos e pertencia a uma mulher adulta. Ele estava enterrado com restos de estegodonte (elefante-anão), de dragões-de-komodo e várias ferramentas de pedra. Esse contexto sugere que, ao menos no que diz respeito ao cérebro, tamanho não é documento.


