Curitiba- Toneladas de materiais tóxicos depositados diretamente no solo podem ter contaminado o lençol freático (água subterrânea) de uma área no município de Campina Grande do Sul, Região Metropolitana de Curitiba. O crime ambiental foi flagrado, na manhã de ontem, pela Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente. O dono da empresa RWS Reciclagem, Vanderlei Simione, responsável pela área, foi preso.
De acordo com o delegado titular da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, Wilciomar Voltaire Garcia, a empresa tinha licença ambiental para reciclagem de metais, mas estaria recebendo produtos classificados como perigosos e que mereceriam destinação especial, de acordo com a Resolução nº 307, do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). Entre eles, citou o delegado, estava um tipo de óleo usado como isolante em transformadores de energia elétrica.
Parte da sucata estava disposta no pátio da empresa (uma área de aproximadamente mil metros quadrados), formando montes de quase três metros de altura. Segundo Garcia, há indícios de que o material que não era aproveitado para revenda estava sendo enterrado naquele local. Em outras duas grandes áreas, havia sinais de queimadas. O delegado suspeita de que ali eram incinerados os produtos que a empresa não teria licença para reciclar.
Peritos do Instituto de Criminalística estiveram na empresa e colheram amostras do solo e água. As análises devem apontar a extensão da contaminação do meio ambiente, o que pode, inclusive, servir como agravante da pena. Por enquanto, a pena prevista é de até cinco anos de reclusão. Segundo o delegado, mesmo que a empresa estivesse trabalhando somente com produtos para os quais tinha licença, seria autuada por armazenamento irregular.
Além do crime ambiental, o dono da RWS deverá responder por desrespeito às leis trabalhistas. Sete funcionários que estavam na empresa no momento do flagrante, trabalhavam sem qualquer equipamento de segurança e sem registro em carteira. Garcia disse que encaminhará um relatório ao Ministério Público do Trabalho, inclusive, com o depoimento prestado pelos empregados.
As investigações que culminaram com a descoberta do crime ambiental tiveram início no ano passado. O delegado relatou que donos de pesque-pague da região reclamavam da mortandade de peixes. Moradores vizinhos também se queixavam de ardência nos olhos e garganta e dores de cabeça por causa das queimadas. A Delegacia do Meio Ambiente fez várias vistorias por empresas da região, mas tinha dificuldade em identificar a origem, até que na última quinta-feira, a fumaça de uma nova queimada apontou a RWS.
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP) informou que a empresa deverá ser embargada e ter a licença cassada, além da multa por desrespeito ao licenciamento e pelo crime ambiental.
A Folha não conseguiu contato com o advogado de Vanderlei Simione.

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