Washington - Cientistas do Reino Unido e dos EUA afirmam ter encontrado um hormônio que pode reduzir o apetite em um terço. A pesquisa, publicada pela revista especializada ''Nature'', abre um novo campo para os tratamentos contra a obesidade, doença que afeta cerca de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo, segundo cálculos de organismos internacionais.
O hormônio, batizado de PYY3-36, é produzido pelas células das paredes do estômago e do intestino e serve para informar ao cérebro a quantidade de comida que foi ingerida e dar a sensação de saciedade.
''Descobrir que o hormônio PYY3-36 diminui o apetite pode trazer grandes benefícios para aqueles que lutam contra os problemas de peso'', disse Stephen Bloom, do Imperial College, de Londres, um dos pesquisadores.
O excesso de peso e a obesidade converteram-se em um grave problema nos países desenvolvidos. Nos EUA, considera-se que ele tenha proporções ''epidêmicas'', já que 65 por cento da população adulta estão cima do peso e duas em cada cinco pessoas são obesas. Em crianças, a tendência é alarmante, declarou o secretário de Saúde dos EUA, Tommy Thompson, com cifras que chegam a 13 por cento da população infantil.
Apesar do otimismo que a descoberta desse hormônio despertou, alguns especialistas em endocrinologia acreditam ser muito cedo para falar sobre um remédio contra a acumulação de gordura. Ainda não se sabe como o organismo reagiria à incorporação de doses extraordinárias desse hormônio, afirmam.
Roger Cone, especialista da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon (noroeste dos EUA), reconhece que o hormônio dificilmente será transformado em pílula contra a obesidade, porque poderia ter efeitos colaterais em outros sistemas do organismo.
''Os pesquisadores ainda terão que percorrer um longo caminho para desenvolver um remédio que possa ajudar os americanos na lutar contra a obesidade'', disse.
Os pesquisadores do Imperial College de Londres e da Universidade de Ciências e Saúde de Oregon testaram o hormônio em um grupo de 12 voluntários e em ratos. No estudo feito com o grupo de pessoas, algumas receberam um extrato do hormônio, enquanto outras, o chamado grupo de controle, receberam uma solução salina que não provoca efeito algum.
Duas horas depois dos testes, foi oferecido aos dois grupos voluntários um farto almoço. Os que tinham recebido o hormônio ingeriram quantidades menores de comida e disseram ter se sentido satisfeitos, diferentemente dos que não haviam recebido o PYY3-36.
Doze horas depois da experiência, pessoas de ambos os grupos já sentiam fome. O número de voluntários que tomaram o hormônio e tinham fome foi 40 por cento inferior ao número de voluntários que não o tinham tomado, contaram os pesquisadores.
Rachel Batterham, do Imperial College de Londres, considera que ''os resultados dessa experiência mostram que o hormônio PYY3-36 pode ser útil para entender o problema da obesidade'' e acredita que ele pode se converter em ''uma alternativa segura'' às dietas e aos tratamentos atuais.
Apesar do Imperial College de Londres falar sobre a descoberta de um novo hormônio, os neuropeptídios E são conhecidos há muito tempo e seus efeitos como inibidores do apetite já estão sendo estudados.
George Wade e outros colaboradores do Centro de Estudos de Endocrinologia da Universidade de Massachusetts, estudaram os efeitos do hormônio PYY3-36 na infertilidade feminina provocada por nutrição deficiente ou por privação de alimentos.
O próprio Imperial College desenvolve, desde 1980, um programa sobre a família dos peptídeos, onde comprovaram que os da família YY atuam como hormônios intestinais e como neurotransmissores no cérebro.

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