Descoberta nova espécie de Pterossauro
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Agência Efe 
Washington - O Thalassodromeus sethi, um pterossáurio que viveu há cerca de 110 milhões de anos, capturava seu alimento com vôos rasantes sobre os lagos cretáceos do nordeste do Brasil, afirmaram ontem pesquisadores cariocas à revista Science.
Alexander Kellner e Diógenes de Almeida Campos pesquisaram o crânio bem conservado de um pterossáurio que em grego significa ''dragão alado'' encontrado em 1983 em Santana do Cariri, Ceará.
Os cientistas deram ao dragão alado o nome de Thalassodromeus sethi, palavra que em grego significa ''corredor dos mares'' e antigo deus egípcio do mal e do caos (sethi).
O fóssil tem uma cabeça de 1,40 metro, com uma enorme crista óssea sobre o crânio, asas que, abertas, têm quase 4,5 metros, e corpo de 1,85 metro de comprimento.
Os pterossáurios mais recentes, cujos fósseis foram encontrados, apareceram na Terra nos períodos finais do Triásico, ou seja, há cerca de 230 milhões de anos, mais ou menos na época dos outros dinossauros.
Os cientistas acreditam que alguns pterossáurios viveram desde o fim do período do Triásico, durante o Jurássico, até o fim do Cretáceo.
Há cerca de 65 milhões de anos os pterossáurios desapareceram da Terra, deixando restos que já foram encontrados nos cinco continentes, incluindo a Antártida, o que intriga os cientistas.
Os pterossáurios foram os primeiros animais vertebrados voadores da Terra, e alguns fósseis sugerem que eles eram peludos e não tinham escamas, como seus ''parentes'' répteis, ou plumas, como os pássaros. Outros répteis precederam os pterossáurios no ar, mas planavam em vez de bater asas.
Os pterossáurios precederam nisso os pássaros em cerca de 75 milhões de anos e os morcegos em 150 milhões de anos.
A característica mais impressionante do Thalassodromeus sethi, segundo Kellner, que trabalha no Museu Nacional do Rio de Janeiro, é sua crista craniana em forma de V que ocupa três quartos da cabeça do animal e lhe servia como sistema de esfriamento.
No outro extremo da cabeça, o dragão alado brasileiro tinha um bico muito afiado, adequado para a pesca. O animal voava sobre as águas e capturava peixes.
A crista apresenta uma rede de ranhuras e os cientistas acreditam que por elas passavam vasos sanguíneos que serviam para regular a temperatura do corpo do pterossáurios. Há alguns pesquisadores que acham que a crista também tinha um papel na sexualidade.
É pouco o que se sabe sobre os pterossáurios porque seus ossos, relativamente finos, não se fossilizaram com tanta abundância como ouros animais contemporâneos.
Kellner disse que, além do crânio, foram encontradas outras partes do corpo que permitiram os cálculos de medidas do corpo e da extensão das asas do Thalassodromeus sethi.
O primeiro fóssil de um pterossáurio foi descoberto em 1784, em Solnhofen, na Bavária (Alemanha), e o naturalista italiano Cosmo Alessandro Collini o descreveu como ''um animal marítimo anfíbio desconhecido e de duvidosa classificação zoológica''.
Após um quarto de século de controvérsias sobre a identidade zoológica do animal encontrado na Bavária, o francês Georges Cuvier, maior autoridade paleontológica de sua época, disse em 1801 que se tratava de um réptil voador, membro de um grupo de criaturas nunca antes descritas.
Por ter um dedo alongado, o fóssil da Bavária foi chamado por Cuvier de pterodáctilo, razão pela qual, desde então, a denominação é aplicada a todos os pterossáurios.


