Descoberta galáxia mais distante do Universo
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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2004
France Presse 
Seattle - Uma equipe internacional de astrônomos conseguiu observar a galáxia mais longínqua já identificada, cuja luz recebida na Terra foi emitida quando o Universo se encontrava em sua tenra infância, anunciaram pesquisadores em uma reunião científica nos Estados Unidos.
As imagens desta galáxia foram vistas graças ao telescópio espacial Hubble e confirmadas pelo observatório Keck, no Havaí. A luz da galáxia foi percebida quando não tinha mais do que 750 milhões de anos e demorou mais do que 13 bilhões de anos-luz para chegar ao planeta Terra, segundo os pesquisadores.
''A galáxia descoberta é extremamente frágil e a verificação de sua distância foi um extraordinário desafio'', explicou o astrônomo Jean-Paul Kneib, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e do Observatório Midi-Pyrénées de Toulouse (França), que dirigiu os trabalhos.
Este fenômeno de crescimento foi descrito pela primeira vez por Albert Einstein em sua teoria da relatividade geral. Foi verificado em 1919 durante um eclipse solar e chamado de ''efeito de lente gravitacional'', porque a luz é desviada pela gravidade, o que tem como efeito o desdobramento da imagem produzida pela fonte de luz.
''A existência de duas imagens de um mesmo objeto indica que o fenômeno de lente gravitacional está em marcha'', afirmou o astrônomo. ''Sem o aumento da massa (das galáxias), este objeto não teria sido identificado ou estudado, pelo menos não com os telescópios de que dispomos hoje. E levamos nossa observação ao limite de sua capacidade'', explicou Kneib, cujos trabalhos serão publicados na revista Astrrophysical Journal.
Os resultados foram divulgados ontem durante a reunião anual da Associação Americana para o Avanço Científico, em Seattle (Washington). O astrônomo Richard Ellis, co-autor do estudo, lembrou que a descoberta ajudará na melhor compreensão da juventude do Universo, um período chamado ''idade sombria''. ''As características pouco habituais desta fonte afastada são fascinantes porque podem representar jovens sistemas de estrelas no final de sua idade sombria'', afirmou Ellis.
A idade sombria, um termo inventado pelo cientista britânico Sir Martin Rees, corresponde ao primeiro bilhão de anos depois do Big Bang, um período pouco conhecido no qual o Universo teria sido apenas uma mistura de matérias sombrias e de gás, precedendo a formação das estrelas. Os astrônomos debatem a duração desse período e tentam compreender os acontecimentos cósmicos que provocaram o final da idade sombria e o início da formação das estrelas, planetas e sistemas estelares como existem atualmente.


