Maria Tereza Boccardi
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
Uma requintada mansão em Ciudad del Este (Paraguai), cujo aspecto era o de uma casa de família, servia como fachada para uma moderna fábrica clandestina de CDs. A fábrica, equipada com máquinas de última geração, funcionava em uma galeria escondida no subsolo. Os únicos acessos ao local eram portas e paredes falsas existentes no interior da residência.
Na casa, que era alugada pelo chinês Ju Chin Yang, havia um depósito chamado de ‘‘Gran Muralla’’. A Polícia Nacional levou três dias de investigação e só conseguiu chegar ao local na noite de anteontem, após desconfiar dos 600 litros de óleo diesel consumidos diariamente.
Depois de quebrar várias paredes, os policiais encontraram uma porta de metal móvel, que teve de ser aberta por um chaveiro. Através dessa porta, se teve acesso ao laboratório de última geração. Segundo a polícia, a estrutura vale pelo menos US$ 80 milhões.
No laboratório foram encontrados todos os produtos químicos necessários à fabricação dos discos a laser. Também foram encontradas duas máquinas industriais, duas máquinas de serigrafia, duas máquinas gráficas, duas caixas de discos compactos já prontos e vários outros equipamentos e acessórios.
A polícia do Paraguai informou que a maioria dos CDs pirateados era de artistas brasileiros e que eram fabricadas cerca de 150 mil unidades ao dia. Até o final da tarde de ontem, ninguém havia sido preso. O chinês que alugava a mansão estava foragido.

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