Brasília, 28 (AE) - A Polícia Militar de São Paulo conseguiu desvendar o braço de uma máfia que envia drogas para a Europa, via porto de Santos, ao descobrir recentemente um galpão em Pirituba de uma suposta exportadora paulista que recheava colchões com cocaína colombiana e despachava a carga para a Iugoslávia. Segundo o titular da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), o juiz Walter Maierovitch, há um contêiner carregado de colchões cheios de cocaína circulando por São Paulo, carga que já tinha sido preparada para ser embarcada em dois navios cargueiros de bandeira iugoslava. Este último carregamento foi cancelado depois que a quadrilha foi desvendada. A maior parte da droga exportada era vendida na Espanha.
Foram os policiais militares de São Paulo que iniciaram as investigações sobre as operações irregulares que vinham sendo feitas em um galpão de Pirituba, com várias entradas e saídas de cargas de colchões de casal. A empresa Oliveira e Rocha, Importação e Exportação, que estaria realizando as exportações, pertenceria ao ex-oficial do exército colombiano Carlos Alberto ávila Gonzales, que, segundo informações recebidas pela Senad, ainda se encontra em território brasileiro. A Polícia Federal não teria sido acionada pela PM de São Paulo, já que os policiais que investigavam o caso não desconfiaram que se tratava de tráfico internacional de drogas. Os policiais investigavam carga roubada de caminhões para ser revendida.
Walter Maierovitch disse que esta máfia que envia drogas para o porto de Bar, na Iugoslávia, vem sendo investigada há muito tempo pela Europol, associação de polícias federais da Comunidade Européia. A Iugoslávia é considerada um dos pontos frágeis para a entrada de drogas e contrabando de mercadorias na Europa.
A descoberta deste braço da máfia irá ajudar a desvendar algumas importantes ligações de Carlos com cartéis da Colômbia, com criminosos no Brasil e na Europa. Carlos Alberto ávila Gonzalez foi expulso do exército da Colômbia e passou a colaborar com grandes cartéis de cocaína e heroína, prestando uma espécie de assessoria sobre temas estratégicos, como as formas de ação das forças armadas, escoamente de produção de drogas e liberação de carregamentos em fronteiras.
No Brasil, Carlos passou a ser um forte elo de ligação entre os produtores de droga e os mafiosos europeus que distribuem o produto. "Na Colômbia, ele é acusado de elaborar inteligência para os cartéis", disse Maierovitch.
A Polícia Militar de São Paulo, segundo Maierovitch, possui documentos que mostram os vários contatos internacionais de Carlos e sua companheira, a também colombiana Claudia Aguirre. "Os documentos deixam claro que se trata de uma organização internacional de tráfico de drogas", disse.
Segundo Maierovitch, a polícia obteve autorização judicial para entrar na casa e no galpão alugados pelo casal em Pirituba, há poucos dias. O casal, no entanto, teria fugido antes da chegada da polícia. Pelas informações recebidas pela Senad, Carlos e sua companheira ainda estariam em território brasileiro.
A droga enviada pelo colombiano era recebida na Europa pela empresa Padrino Trading, que tem o nome fantasia de Padrino
designação pela qual os mafiosos italianos tratam os grandes chefes de suas organizações. Pelas informações recebidas pela Senad, a droga era distribuída pelas máfias italianas para toda a Europa, mas os carregamentos dos falsos colchões exportados pelo colombiano, em sua maioria, teriam sido vendidos na Espanha.

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