A misteriosa morte de bebês durante o sonho está vinculada a um gene que regula o ritmo cardíaco, segundo revelou ontem um grupo de pesquisadores médicos da Clínica Maio. O doutor Michael Ackerman, chefe do grupo de pesquisadores, disse que se trata do gene identificado como SCN 5A, o qual ajuda as células cardíacas a utilizar o sódio para regular seu ritmo elétrico. ''Este é um passo que em última instância poderia ajudar a prevenir'' a síndrome da morte repentina, conhecida como SIDS em inglês. ''Identificamos aqueles bebês que poderiam correr perigo de sofrer SIDS e começamos a tomar medidas para impedir a incidência da morte'', explicou em uma declaração.

Segundo o estudo do grupo de médicos publicado na revista da Associação Médica dos Estados Unidos, o SIDS afeta, principalmente, os bebês com idade entre um e três meses. ''Até agora não sabíamos a causa do SIDS. Agora sabemos que está relacionado a uma alteração elétrica no coração. De certa forma, se trata de um culpado perfeito porque o SIDS não deixa rastros que possam
ser encontrados na autópsia'', disse.

O gene está vinculado à síndrome QT que é uma irregularidade cardíaca que pode causar a morte repentina. Calcula-se que entre dois mil e 2.500 bebês, aparentemente saudáveis, morrem em consequência do SIDS. Em muitos casos, a morte os surpreende quando estão dormindo de barriga para baixo. No entanto, Ackerman admitiu que poderia haver outros 10 a 20 genes que poderiam ser a causa desta morte repentina dos bebês durante o sonho. Os médicos da Clínica Maio, em Rochester, Minnesota, estudaram as células cardíacas de 93 bebês com casos de SIDS, registrados no Estado de Arcansas entre 1997 e 1999. Em dois deles se determinou que o gene SCN 5A era defeituoso.

O médico reconheceu que a porcentagem é muito baixa, mas acrescentou que é possível que haja outros genes que explicariam os demais casos. Afirmou que existe a teoria de que, quando um bebê dorme de barriga para baixo, há mais chances de se produzir um QT cardíaco, devido a um descontrole elétrico. Disse ainda que quando um bebê dorme de barriga para cima existem menos possibilidades de que ocorra uma parada respiratória, que em muitas ocasiões está vinculada à morte cardíaca.

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