Paris - O câncer de mama, algumas vezes chamado de ''assassino silencioso'', enfrenta uma nova e poderosa arma descoberta pela biologia molecular: trata-se de uma droga que bloqueia uma enzima-chave ligada à reconstituição do DNA e que diminuiu dramaticamente o avanço de tumores em ratos de laboratório, de acordo com pesquisa divulgada na sexta-feira.
O experimento se mostrou tão bem-sucedido que os primeiros testes em humanos devem começar em alguns meses.
O alvo da pesquisa são os genes chamados BRCA1 e BRCA2. Um trabalho anterior já tinha mostrado a ligação entre estes genes e células cancerígenas na mama. Mulheres que carregam versões alteradas destes dois genes têm até 85% de chance de desenvolver câncer de mama por volta dos 70 anos.
A última pesquisa, divulgada na revista britânica de ciência ''Nature'', fala de uma enzima denominada poli (ADP-ribose) polimerase, ou Parp, que ajuda na reconstituição do DNA.
A função da Parp é identificar quebras no DNA e juntar os pedaços danificados, atraindo proteínas especializadas para o local, de modo a reverter o quadro.
A equipe liderada por Alan Ashworth, professor titular do Instituto de Pesquisa do Câncer, em Londres, descobriu que células cancerígenas cultivadas em laboratório com BRCA1 e BRCA2 deficientes foram ''inesperada e profundamente'' sensíveis ao bloqueio da Parp.
Se a Parp for inibida, as células se tornam tão danificadas em termos cromossômicos que ficam instáveis e, eventualmente, autodestrutivas, um processo conhecido como apoptose.
Estes cientistas pensaram, então, em criar uma droga que bloqueia a Parp e a testaram em ratos que receberam injeções com células cancerígenas BRCA2. O tratamento bloqueou o avanço do câncer, mas as células normais não foram atingidas pela droga, por ainda possuírem a versão correta dos genes. O próximo passo é realizar testes em humanos.

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