São Paulo, 28 (AE) - O motorista que decidir viajar para o litoral pelo Sistema Anchieta-Imigrantes na quinta-feira pode ficar até seis horas na estrada. A estimativa é do coordenador de Operação da Comissão de Concessões do Estado, Sebastião Ricardo. Ele baseia sua projeção nos números do ano passado e na redução da capacidade de tráfego por causa do deslizamento que causou a interdição da pista sul da Via Anchieta.
Em 30 de dezembro de 1998 cerca de 140 mil veículos desceram a serra pelas Rodovias Imigrantes e Anchieta. Naquele dia, o tempo médio de viagem foi de três horas. "Se este ano descer o mesmo número de veículos esse tempo vai ser dobrado", disse Ricardo. A previsão da Ecovias, empresa que administra o sistema, é de que cerca de 660 mil motoristas utilizem as estradas no ano-novo.
Desvio - A empresa começa a construir um desvio provisório na sexta-feira, entre as pistas norte e sul da Anchieta, para contornar a região afetada pela queda de barreira. A previsão dada ao governador Mário Covas (PSDB) ontem (27) é de que em 30 dias a pista provisória estará pronta. De acordo com Ricardo, a Ecovias deverá apresentar essa proposta em um documento e os prazos serão cobrados.
O coordenador disse que a obra para restauração da Anchieta não acarretará atraso na construção da segunda pista da Imigrantes. Acidentes como o que ocorreu, segundo ele, estão previstos no contrato de concessão. "O custo e a responsabilidade por esse serviço são da concessionária."
Acidente - Hoje um acidente envolvendo quatro carretas e pelo menos sete veículos na Anchieta deixou uma pessoa morta e 13 feridas. Por volta das 6h30, o caminhão Scania, de Campinas, dirigido por José Bonfim de Souza, de 27 anos, ficou sem freio e
descontrolado, atingiu os veículos que estavam no caminho.
A colisão aconteceu na altura do km 52, na pista norte, sentido litoral, no município de Cubatão. O primeiro carro atingido foi um Fiat Uno, que levava quatro pessoas ao litoral. O carro foi completamente esmagado. Segundo a Polícia Rodoviária Estadual, uma das passageiras, Arminda Rafaeli, de 70 anos, morreu no local. Os demais ocupantes do veículo ficaram feridos e foram levados a hospitais de Cubatão.
Fumaça - Testemunhas, entre elas motoristas dos demais carros atingidos, disseram ter visto o caminhão soltando muita fumaça dos pneus, quilômetros antes do local do acidente. O comerciante José Antônio Giraldi Barbosa contou que viu motoristas de caminhões e carros sinalizando para o condutor do caminhão.
"Foi negligência dele", acusou Barbosa. "Dava para ver que o caminhão estava ficando sem freios, ele podia ter parado antes." O Fiat Elba do comerciante foi atingido, mas ele não se feriu.
O perueiro Marcos Castro Sanches, de 25 anos, e um amigo estavam em uma Kombi, levando pertences da família para o feriadão no litoral, quando o carro foi atingido por trás e capotou três vezes. Os dois sofreram somente ferimentos leves, mas o veículo ficou totalmente destruído. O motor, por exemplo, foi arrancado e jogado 30 metros adiante. "Tivemos sorte, as crianças insistiram para vir, mas a gente não deixou."
Por causa do acidente, todo o trecho de descida da serra pela rodovia ficou completamente parado, começando ainda no planalto e passando pela interligação. O acidente foi registrado no 3.º Distrito Policial de Cubatão. O motorista do caminhão deverá ser indiciado por homicídio culposo.

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