Curitiba - O mundo joga fora, todo ano, aproximadamente 50 milhões de toneladas de lixo originado de equipamentos eletrônicos. No Brasil, pelo menos 11 toneladas de baterias para celular vão parar no lixo comum, isso sem falar na quantidade de computadores, aparelhos de televisão, celulares, CDs, DVDs e equipamentos de som que são descartados em troca de modelos mais modernos.
Além de aumentar o volume dos lixões, os eletroeletrônicos têm metais pesados e outras substâncias tóxicas que contaminam o meio ambiente. Por esse motivo, o Comitê para Democratização da Informática (CDI) escolheu o descarte irregular do lixo eletrônico como tema de campanha para sua Semana da Inclusão Digital, que acontece em 13 estados e no Distrito Federal.
Segundo o diretor do CDI, Rodrigo Baggio, apesar de parte do material ser reaproveitado no mercado de segunda mão, muita coisa é descartada. Os aparelhos contêm altas taxas de produtos químicos venenosos ou metais pesados, como mercúrio, chumbo e prata que, ao serem incinerados, lançam gases tóxicos na atmosfera, além do altíssimo risco de vazamento para solo e lençóis freáticos.
O coordenador executivo da ONG, Edgard Spitz, conta que no Brasil a situação é preocupante pois, além da troca de aparelhos em função dos avanços tecnológicos, a tendência é que o número de consumidores aumente. Dados do IBGE comprovam que apenas 25% das casas no Brasil possuem computador, o que significa que existem cerca de 120 milhões de excluídos digitais para serem incorporados ao mercado. ''Temos um caminho grande pela frente. Com as facilidades no crediário, o barateamento dos equipamentos, o consumo vai crecendo muito mais'', disse.
A falta de uma legislação nacional que normatize o destino desse material é mais um agravante. Em tese, a legislação determina que fabricantes e revendedores são responsáveis pelo destino final de seus produtos, mas na prática isso nem sempre acontece.
Na Assembléia Legislativa, um projeto de lei nesse sentido, de autoria dos deputados Pastor Edson Praczyk e Rosane Ferreira também começou a ser discutido ontem. ''Se a pessoa tiver nota fiscal do seu computador, ela pode levar à loja ou ao fabricante. Mas como esse material pode gerar renda, o mais comum é ser entregue para ONGs'', avalia o diretor de Operação da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina, Fábio Reali.
O diretor disse que, para resolver o problema do lixo eletrônico, a Prefeitura fechou há cerca de um mês uma parceria com uma ONG que fará a coleta dos produtos no sistema porta-a-porta, como ocorre com o lixo reciclável. A idéia surgiu depois que o município se deparou com um despejo irregular de lixo eletrônico em um terreno baldio. Pela parceria, a prefeitura é responsável pela infra-estrutura, ou seja, aluguel de barracões e cessão de caminhões e, a partir de solicitação de empresas e particulares, a ONG faz a coleta do material, desmonte do material e venda de todos os componentes.
Em Curitiba, por sua vez, a orientação da Prefeitura é que o material seja descartado junto com o ''Lixo que não é Lixo'', para que o material seja separado nas usinas de reciclagem. No caso de equipamentos de informática, outra opção é solicitar o recolhimento pela Unidade de Valorização de Recicláveis, que é gerenciado pelo Instituto Pró-Cidadania de Curitiba. Ali, todo material é levado à leilão e os recursos revertidos para a Fundação de Assistência Social (FAS).

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