Londrina - O escândalo do reaproveitamento de lençóis, jalecos e fronhas de hospitais por confecções do Nordeste, descoberto na última semana, levantou uma questão, sobre os riscos esse material pode oferecer à população.
Cerca de nove toneladas de lençóis usados foram apreendidos no Porto de Suape, em Pernambuco, em 11 e 13 outubro, e em fábricas da região poucos dias depois. Nesta semana, um comerciante da região do Brás, no Centro de São Paulo, foi acusado pelo dono de uma loja de tecidos, em Ilhéus, na Bahia, de vender tecidos com logomarcas de hospitais.
Os flagrantes chamaram a atenção da opinião pública para a importância do descarte correto de material hospitalar e levaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a publicar, na semana passada, nota técnica ressaltando que os tecidos usados em hospitais ''só devem ser reutilizados após processamento específico que garanta a eliminação do risco, realizado em unidades de processamento de roupas de serviços de saúde.''
De acordo com a coordenadora da Gestão de Resíduos da Santa Casa de Londrina, Josette Martini, diariamente são higienizados na lavanderia do hospital cerca de 2,5 mil quilos de tecido. ''O tecido é separado por grau de sujidade. O que garante a desinfecção são os produtos utilizados, o tempo de lavagem e também o calor'', explica.
Os tecidos usados nos centros cirúrgicos, que entraram em contato com grande quantidade de sangue, são isolados e descartados como lixo hospitalar. ''O risco de infecção é grande. São altamente contagiosos'', acrescenta.
A Santa Casa produz em média 10 toneladas de lixo hospitalar por mês. Esse material, que inclui seringas e ataduras, que são recolhidas por uma empresa especializada de Maringá.
A exemplo da Santa Casa, a maioria dos hospitais brasileiros contrata firmas especializadas para fazer o recolhimento e a destinação correta ao rejeito hospitalar. No Paraná, de acordo com o presidente da Associação das Empresas Tratadoras de Resíduos de Saúde do Sul do País, Doacyr Barbinote, cinco empresas são habilitadas para recolher lixo hospitalar.
''Esse material tem dois destinos: ou eles são incinerados ou passam por uma autoclave, são esmagados. Depois eles são levados para um aterro'', explica Barbinote. No caso dos tecidos contaminados, o destino correto é a incineração.(Com Agência Estado)

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