Araçatuba, SP- Uma descarga elétrica provocada pela queda de um poste de rede de energia elétrica matou uma vaca de R$ 2,4 milhões, na fazenda Fortaleza, em Valparaíso (SP). A Asteca, uma nelore PO (Pura de Origem), de três anos de idade premiada Grande Campeã nas cinco principais exposições pecuárias do País, entre elas a de Londrina , pastava com outras 19 vacas, quando foi atingida. A vaca era propriedade do fazendeiro José Carlos Prata Cunha, dono da Central VR.
O acidente aconteceu na tarde de segunda-feira. O poste de madeira sustentava a rede pública de energia, que passa dentro da fazenda, mas estava com a base podre, segundo o gerente comercial da VR, Márcio Lemes. ''A CPFL tinha sido avisada, mas não substitui o poste'', afirmou, referindo-se à Companhia Paulista de Força e Luz.
Foi graças a Asteca que seu proprietário tornou-se hexacampeão nacional da raça nelore, cujo ranking tem dez edições desde sua criação. Ela era o animal mais valioso da Central VR, uma das principais empresas do setor, que trabalha há 90 anos com coleta e comercialização de material genético de bovinos. Segundo ele, a VR vai acionar a CPFL pelos prejuízos causados. Um outra vaca, Sagras Fort VR, avaliada em R$ 100 mil também morreu em consequência da descarga elétrica.
A assessoria de imprensa da CPFL informou que a empresa não irá se pronunciar sobre o assunto até ser intimada sobre a ação judicial que os donos da Asteca ameaçam mover contra a empresa. De acordo com a assessoria, a informação que receberam é de que o poste caiu por causa de um temporal. Segundo Lemes, a queda do poste não pode ser atribuída ao mau tempo. ''Estava nublado, mas não chovia nem ventava. Além disso, constatamos que os outros postes também estão comprometidos na base'', acrescenta Lemes.
As duas vacas não estavam no seguro. Segundo a VR, não é normal que esses animais sejam segurados, pois ficam em vigilância praticamente todo o dia e recebem atendimento vip. Na pecuária, segundo Lemes, os seguros são restritos quando os animais viajam para serem expostos em eventos. ''O seguro de um animal desses invibializaria sua exploração. Não é possível para quem vive da pecuária'', diz.
Os prejuízos não são poucos. O primeiro embrião de Asteca foi vendido a R$ 140 mil, preço considerado recorde, durante um leilão em março. Segundo Lemes, a VR recebeu a proposta de vender metade da Asteca, por R$ 1,2 milhão. Prata Cunha não aceitou.
A expectativa de vida útil da vaca era de 14 anos e sua rentabilidade, poderia chegar em média a R$ 800 mil ao ano. Ou seja, produziria ao menos R$ 11,2 milhões até o fim de sua vida útil. Sua produção estava estimada em 24 embriões por ano, sendo 30% de fêmeas, cujo embrião seria vendido a R$ 100 mil cada.
Assim que souberam da morte do animal, criadores de todo o País telefonaram para confirmar a informação e saber quantos embriões haviam restado. A VR possui duas crias e três embriões da Asteca. Para salvar parte do material genético, os veterinários extraíram o ovário dela, de onde poderá se originar dez embriões. ''Poderia ser um número maior (de embriões), se os técnicos da CPFL não demorassem mais de três horas para desligar a rede que atingiu a vaca'', diz Lemes.
A expectativa é de que os dez embriões originem três descendentes fêmeas de Asteca, mas isso não garante que serão iguais à mãe.''Por isso, a perda é inestimável, possivelmente nem em 20 anos um criador chega a um exemplar tão precioso como esse'', completa Lemes.

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